A líder do CDS-PP lamentou, esta segunda-feira, que as juntas de freguesia estejam a ser colocadas à margem do processo de reconstrução nas áreas atingidas pelo incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande, apesar de estarem “mais próximo das populações”.

(...) Ouvimos o Governo falar muito de descentralização, da importância dos municípios e das juntas de freguesia, mas o que vemos na realidade são juntas de freguesia, que são quem está mais próximo das populações, completamente postas à margem de todo este processo", afirmou Assunção Cristas.

A presidente do CDS-PP falava aos jornalistas depois de uma reunião com os presidentes de juntas de freguesia dos concelhos de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, onde estiveram representadas cinco autarquias.

Aquilo que vim encontrar, e pedi expressamente para reunir com os presidentes de junta destes três concelhos, o que vi foi uma grande queixa em relação à forma como não têm sido envolvidos no terreno e na ajuda às populações, de forma que eles próprios não têm como explicar que ajudas estão a ser organizadas no terreno e como é que os seus fregueses se podem socorrer."

Após a reunião, Assunção Cristas visitou a localidade de Vale Vicente, na freguesia de Campelo.

Estamos num lugar da freguesia de Campelo para ver uma habitação que foi ardida (...). Está tudo exatamente como ficou, não há nenhum apoio, nem nenhuma reconstrução."

A líder do CDS-PP adiantou ainda que também lhe foi explicado que as reconstruções têm sido feitas com fundos privados, sendo que as pessoas, com dinheiro do "seu próprio bolso", avançam com as obras.

Assunção Cristas sublinhou que o que é importante "é pressionar e instar" o Governo para que cumpra com a sua palavra e para que faça chegar às populações o dinheiro com o qual se comprometeu.

Mais ainda, os 13 milhões de euros, mais 13 milhões de euros que nasceram da solidariedade de todos os portugueses, aqui no terreno as pessoas interrogam-se, onde é que está o dinheiro?"

"Fomos completamente ignorados"

Também o presidente da União de Freguesias de Figueiró dos Vinhos e Bairradas, Filipe Silva, criticou, esta segunda-feira, depois da reunião, a falta de envolvimento das juntas, sublinhando que têm sido "ignoradas".

"Tivemos reunidos para analisar, quase três meses volvidos, como é que as coisas se estão a desenrolar no terreno", explicou Filipe Silva, em representação dos restantes autarcas.

Manifestámos a nossa preocupação sobre a reconstrução que está a ser feita. Está a ser feita, mas com atraso e, acima de tudo, nesta reunião também quisemos transmitir à doutora Assunção Cristas algum não envolvimento que as juntas de freguesia tiveram neste processo. Fomos ignorados completamente, nunca fomos envolvidos."

Filipe Silva, o atual candidato do PSD à Câmara de Figueiró dos Vinhos, adiantou que, quase três meses depois do incêndio, o atual presidente do município nunca reuniu com os presidentes das juntas de freguesia e reiterou: "Fomos completamente ignorados, completamente marginalizados neste processo".

O autarca explicou ainda que esta situação é extensível às juntas de freguesia dos três concelhos envolvidos.

Não houve reuniões em nenhuma delas. Nós, os presidentes de junta de freguesia, reunimos precisamente para transmitirmos este nosso descontentamento."

"As pessoas sentem-se desamparadas"

A presidente do CDS-PP considerou também existir uma "enorme" falta de informação, de ação e de concretização no terreno, depois do incêndio que deflagrou em junho em Pedrogão Grande, e instou o Governo a fazer mais nesta matéria.

O que é verdade é que o que ouvi de manhã até agora, foi sempre a mesma mensagem: não há ainda visível no terreno o apoio que foi prometido pelo Governo às pessoas, ainda não têm as suas casas sequer a ser reconstruídas, ainda não sabem o que vai ser ou não vai ser apoiado."

A líder do CDS-PP falava aos jornalistas em Vila Facaia, no concelho de Pedrógão Grande, após uma reunião com a recém-constituída associação dos familiares das vítimas do incêndio de Pedrógão Grande.

Foi uma constante desde os presidentes de junta de freguesia, até às pessoas em concreto (...), até aos representantes desta associação, todos referiram a enorme falta de informação que existe no terreno e a enorme falta de ação e de concretização que também existe no terreno."

Neste âmbito, Assunção Cristas adiantou que o CDS-PP vai insistir junto do Governo para que as ajudas cheguem às pessoas "com muita transparência".

Há uma grande falta de concretização e de informação. As pessoas sentem-se desamparadas e desprotegidas (...). O Governo tem que fazer muito mais nesta matéria."

Questionada sobre o balanço desta segunda visita ao terreno, Assunção Cristas foi taxativa e disse que, infelizmente, faz um balanço negativo.

Eu não quis vir logo no mês a seguir, para também dar tempo a que as coisas começassem a correr e a entrar numa velocidade de cruzeiro nesta parte de reconstituição da vida das pessoas. Mas, a verdade é que não ouvi nada de muito diferente do que ouvi há um mês atrás."

A presidente do CDS-PP sublinhou ainda que isso já tinha acontecido logo a seguir ao incêndio e adiantou que "as pessoas encolhem os ombros, esperam e dizem que não sabem quando é que virão as ajudas e estão muito desgostosas e fragilizadas".

Cristas reiterou também que vai continuar a deslocar-se ao terreno para acompanhar esta matéria.