A candidata à liderança do CDS Assunção Cristas prometeu hoje uma "liderança irreverente" que "não teme temas difíceis" e "não exclui ninguém", numa intervenção em que anunciou que Diogo Feio irá dirigir o Gabinete de Estudos.

A minha ideia é dar autonomia ao Gabinete de Estudos para que possa ganhar outro ritmo, outra velocidade e pedirei ao Diogo Feio que tome conta dessa responsabilidade, recém-doutorado como está e com muito foco no estudo", anunciou Assunção Cristas perante o 26.º Congresso do CDS-PP, que decorre em Gondomar (Porto).

Para Assunção Cristas, "o estudo é necessário" para "uma liderança irreverente": "Liderança irreverente porque não quer ter medo de tocar em temas difíceis, sabe que às vezes é preciso tocar em temas difíceis, mas sabendo que nós devemos ter a coragem, a ambição e a verdade de estudá-los, de prepara-los, de os apresentar à discussão pela sociedade portuguesa".

Numa intervenção de cerca de dez minutos - o tempo consagrado para as intervenções sobre as moções de estratégia global - a candidata à liderança disse que no seu projeto "não há ninguém excluído, não há ninguém que não possa encontrar o seu lugar no CDS, o seu lugar para fazer crescer o partido.

Na apresentação da sua moção de estratégia global "Ambição e Responsabilidade", a ex-ministra da Agricultura declarou que todos no partido são "convocados para contribuir e para acrescentar".

É deste arrojo, é desta vontade de acrescentar que se faz o nosso partido. Temos doutrina que nos inspira, mas sobretudo temos um ânimo enorme para chegar à porta das pessoas, para entrar nas suas casas, para conversar com elas, para saber do que precisam", afirmou.

Em política não resolvemos tudo da vida das pessoas -e ainda bem que não resolvemos, mal seria -, mas no que depender de nós, no emprego, nos apoios à natalidade, nos apoios aos idosos, ou na educação ou na saúde, o CDS quer ser o partido que dá a melhor resposta", acrescentou.

Assunção Cristas defendeu também uma maior abertura do partido aos simpatizantes e outros independentes e um Largo doo Caldas (sede nacional do partido) "mobilizado, motivado, com ações, com trabalho, com gente a aproximar-se de dentro e fora do partido.

Havemos de ter um rodopio de gente precisamente para acrescentar, para trabalhar e para debater", afirmou, defendendo uma "aliança profunda entre trabalho de formiguinha, insistente diário e consequente e o estudo reflexivo".

De oito para quatro vice-presidentes

A candidata à liderança do CDS-PP convidou Nuno Melo, Adolfo Mesquita Nunes e Cecília Meireles para vice-presidentes do partido, mantendo-se nesse cargo também Nuno Magalhães por inerência das funções como líder parlamentar.

Fonte da candidatura confirmou à agência Lusa os convites feitos por Cristas para as vice-presidências, nomes avançados pelo Expresso online, salvaguardando, contudo, que as listas finais só deverão ser entregues pelas 23:00.

Adolfo Mesquita Nunes já era membro da comissão executiva - o núcleo duro da direção - de Paulo Portas e sobe agora a vice-presidente, tal como Cecília Meireles, deputada e vice da bancada parlamentar. Nuno Melo e Nuno Magalhães transitam como 'vices' da direção de Portas.

De acordo com a mesma fonte, estas escolhas têm uma marca de paridade (entre a presidente e os três 'vices' eleitos há dois homens e duas mulheres) e diversidade geográfica, representando Porto, Lisboa e Braga.

Deixam a vice-presidência Artur Lima, João Almeida - que, de acordo com a mesma fonte, passa a ocupar o lugar de porta-voz -, Diogo Feio, que irá presidir ao Gabinete de Estudos, Mota Soares e Teresa Caeiro.

Para o lugar de secretário-geral, Assunção Cristas convidou Pedro Morais Soares, presidente da Junta de Freguesia Cascais-Estoril (no concelho de Cascais), que sucederá no cargo a António Carlos Monteiro.

De acordo com uma outra fonte, Ana Rita Bessa, deputada responsável pelo pelouro da Educação, irá integrar a Comissão Executiva, órgão que manterá a mesma dimensão (atualmente com 17 membros), aumentando os vogais para compensar a diminuição das vice-presidências.

Marido espera que família seja menos prejudicada pela futura presidente 

O marido da candidata única à presidência do CDS-PP, Tiago Machado da Graça, antecipa uma melhor e mais previsível vida familiar com as futuras funções de Assunção Cristas, tal como sucedeu aquando da tutela da Agricultura e do Mar.

É complicado, mas, se calhar, foi mais complicado na fase em que foi só deputada porque não dominava a agenda. Neste momento, será mais fácil, é mais simples. No Governo, tinha algumas [ausências em] viagens, mas sabia a que horas acabavam as coisas porque era ela que marcava as reuniões. Como deputada era mais imprevisível, tinha aqueles debates que não se sabia a que horas acabavam", descreveu num momento de convício com militantes à porta do pavilhão multiusos de Gondomar, onde decorre o 26.º Congresso do CDS-PP.

O jurista, que tem os mesmos 41 anos da parlamentar democrata-cristã e também tem de gerir as vidas dos quatro filhos em comum, conheceu e começou a namorar a futura líder centrista aos 17, ainda no Liceu Rainha D. Amélia, antes da faculdade, local onde se meteu na política, embora como militante do PSD, sendo agora "militante suspenso".

Sinto-me normal, ela está satisfeita e entusiasmada e eu apoio. Não sei muito bem o que quer dizer isso de ser primeira-dama (risos). Não sinto nada de especial", desvalorizou Machado da Graça, achando piada ao estatuto, desta feita de géneros invertidos em relação ao habitual em personalidades com altos cargos políticos.

Em relação ao facto de ter passado a frequentar os eventos dos democratas-cristãos e não dos sociais-democratas, o futuro "primeiro-cavalheiro democrata-cristão" sente todo o à-vontade.

Começo a conhecer as pessoas todas. Já é o terceiro congresso a que venho. É animado, é engraçado. Ela está satisfeita, isso é que é preciso", disse o pai de Maria do Mar (14 anos), José Maria (12 anos), Vicente (10 anos) e Maria da Luz (2 anos).