«Sou uma pessoa de fé, esperarei que chova»

Ministra da Agricultura espera que a chuva possa diminuir os efeitos da seca

Por: tvi24 / CLC    |   21 de Fevereiro de 2012 às 23:30
A ministra da Agricultura diz que tem «fé» que chova nas próximas semanas e assim diminuam os efeitos da seca, acrescentando que, porém, o Governo já está a fazer «um levantamento» do impacto do problema para acionar ajuda europeia.

«Sem termos um levantamento detalhado e objetivo das várias situações que estão a ser vividas, não conseguimos acionar mecanismos europeus nessa matéria», disse hoje Assunção Cristas na comissão parlamentar de Agricultura, em resposta a questões dos deputados, que quiseram saber o que está a fazer o Governo em relação ao impacto da falta de chuva no setor agrícola.

«Devo dizer que sou uma pessoa de fé, esperarei sempre que chova e esperarei sempre que a chuva nos minimize alguns destes danos. Como é evidente, quanto mais depressa vier, mais minimiza, quanto mais tarde, menos minimiza. Se não vier de todo, não perderei a minha fé mas teremos obviamente de atuar em conformidade», acrescentou a ministra do Ambiente, do Mar, da Agricultura e do Ordenamento do Território.

Assunção Cristas repetiu várias vezes que o Governo já criou há várias semanas uma «task force», que integra diversos organismos oficiais, que estão por sua vez em contacto com as associações do setor, para «monitorizar», «sinalizar» e «fazer a previsibilidade dos prejuízos» relacionados com os efeitos da seca na Agricultura, recusando a ideia de que não considerar este problema grave, como afirmaram os deputados socialistas.

«Esta task force foi constituída muito antes de toda a gente falar da seca», sublinhou.

Sobre um pedido de ajuda europeia, Assunção Cristas afirmou que «só com mais informação» se poderá acionar qualquer mecanismo, mas garantiu que o Governo fará os levantamentos necessários «rapidamente».

A ministra garantiu que levará o assunto ao próximo conselho europeu de Agricultura. «Mas só mais para a frente, e no decurso da evolução da situação, poderemos formalizar esse pedido», acrescentou.

Assunção Cristas disse que o grupo de trabalho que criou «já sinalizou algumas situações» e o que o setor que está «a sofrer mais» com a seca é a produção animal, onde há já casos de falta de pastagens, pelo que os animais estão a ser alimentados à mão, com fenos e palhas que estavam reservadas para o verão.

Há ainda culturas de inverno que serão seriamente afetadas se não chover nas próximas semanas e outras que ficarão «mais vulneráveis a pragas», existindo «já um plano de prevenção» em relação a este último problema.

A ministra da Agricultura referiu ainda que o objetivo é este grupo de trabalho produzir relatórios de acompanhamento da situação a cada quinze dias, os quais poderão porém tornar-se semanais se as condições se agravarem.

Além de acionar mecanismos europeus de ajuda, o Governo está ainda a estudar criar «medidas administrativas, como a flexibilização de algumas exigências» relacionadas com a produção animal, afirmou.

Assunção Cristas defendeu ainda que é preciso deixar de olhar para o problema da seca de «forma episódica», acrescentando que os dados parecem revelar uma tendência para fenómenos de seca a cada cinco anos em Portugal.

Nesse sentido, acrescentou, o ministério que tutela pondera criar sistemas permanentes de estudo, monitorização e antecipação deste problema.
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EM BAIXO: Assunção Cristas (Lusa)
Assunção Cristas (Lusa)
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