"Cabe a todos nós a responsabilidade de aceitar a decisão do povo soberano”, afirmou Luís Montenegro na primeira intervenção do PSD na Assembleia da República da nova legislatura.

“Em face dos resultados das eleições o povo escolheu Pedro Passos Coelho para ser primeiro-ministro e liderar o Governo. Não escolheu mais ninguém”, mas “atribuiu a todos responsabilidade de não estragarmos tudo aquilo que fomos capazes de conquistar com o esforço e o sacrifício das pessoas, dos portugueses”, disse Luís Montenegro.   

Luís Montenegro defendeu que “ o povo escolheu o programa político da coligação Portugal a Frente (PaF) para servir de base à ação governativa”, reconhecendo, no entanto, que esse apoio teve uma expressão relativa, afirmando que o povo "não confiou a esta coligação um apoio parlamentar que configurasse uma maioria absoluta dos mandatos”.

No entanto, perante estes factos, o deputado do PSD argumentou que este resultado legislativo “dá às outras bancadas a responsabilidade de compreender e respeitar a vontade do povo e oferecer a sua disponibilidade para encontrarmos esses compromissos”. E rematou com a garantia de diálogo à esquerda por parte da sua bancada e da bancada do CDS: “Estaremos nesta bancada com o parceiro de coligação para suportar o Governo de Portugal  e para conseguir no Parlamento os entendimentos que forem necessários para não desperdiçarmos o esforço feito.”

Assumindo esta como uma legislatura de “grandes desafios”, Luís Montenegro abriu hostilidades para com o recém-eleito presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, que derrotou Fernando Negrão.

Luís Montenegro acabou o seu discurso como começou: “Hoje foi quebrada uma regra, uma tradição de sempre da democracia portuguesa. Lamento que pela primeira vez um presidente da Assembleia da República não tenha saído do partido ou da coligação que venceu as eleições e lamento que o senhor deputado Ferro Rodrigues tenha sido eleito em confronto com esta tradição”.

O social-democrata reconheceu a legitimidade da eleição de Ferro Rodrigues, garantindo-lhe “o respeito e fair-play democrático” da bancada do PSD, para terminar dizendo ao socialista que “não começou bem o seu mandato como presidente da Assembleia da República. Fiquei com a sensação que as garantias de isenção e de imparcialidade que devem estar na base do exercício da função de presidente da Assembleia da República estão ainda longe de ser garantidas”. 

O líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães, repetiu a mesma ideia de Montenegro, também considerando que a eleição do socialista Ferro Rodrigues quebra uma tradição de 40 anos e que o seu mandato "não começou bem".

"No entender do CDS, acabámos de quebrar uma tradição de 40 anos em que o presidente da Assembleia da República sempre emanou da bancada com o maior número de deputados."


Nuno Magalhães cumprimentou "democraticamente" Ferro Rodrigues pela sua eleição, mas disse-lhe, no seu entender, "não começou bem" o mandato, porque não "vestiu o fato de presidente da Assembleia da República" no seu primeiro discurso.

Quanto às anteriores eleições para o cargo de presidente da Assembleia da República, o deputado e dirigente centrista salientou o caso do socialista Jaime Gama, que foi eleito em 2005 e 2009, sem adversários, e mesmo com o PS em minoria obteve muitos mais votos a favor do que o número de deputados do seu partido.

"Talvez isso faça perceber bem a todos a diferença entre cumprir a tradição e quebrar as regras", observou, recebendo palmas do PSD e do CDS-PP.