O secretário-geral da CGTP disse esta quarta-feira que o ministro da Defesa está «com uma batata quente nas mãos», e que Aguiar-Branco «não sabe qual vai ser o futuro» dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC).

«O senhor ministro, neste momento, digamos que está com uma batata quente nas mãos. Percebe que nós temos razão [nos argumentos apresentados] e sabe que o encerramento dos estaleiros trará inevitavelmente consequências e prejuízos gravíssimos à economia nacional e ao tecido social», afirmou Arménio Carlos, após uma reunião com José Pedro Aguiar-Branco.

Caso o negócio da subconcessão dos ENVC à Martifer se concretize, o secretário-geral da CGTP frisa que «nem o próprio ministro ousa, tão-pouco, avançar com a ideia do futuro» da empresa.

«Ele não sabe. Como é que é possível entregar uns estaleiros destes sem haver um caderno de encargos e compromissos de carteira de encomendas e de manutenção de empregos? O Governo apenas diz: eu quero livrar-me disto o mais depressa possível e quem vier que feche a porta. E quem vier vai fechar a porta de forma errada», alertou Arménio Carlos.

Durante a reunião, a comitiva da CGTP reiterou ao ministro que continua «firmemente convencida» de que os estaleiros navais têm futuro.

Arménio Carlos lembrou o potencial de negócio para a indústria naval com a obrigatoriedade da marinha mercante ter de introduzir um segundo casco nos navios, as crescentes dúvidas sobre a Martifer, considerada uma empresa «sem credibilidade» e com um «passivo enormíssimo [superior a 370 milhões de euros]», e a questão da alegada concorrência desleal invocada pela Comissão Europeia quanto ao financiamento de empresas públicas por parte do Estado.

«Ainda recentemente, foi o Estado que interveio com seis mil milhões de euros para resolver o buraco e a fraude do BPN. Não se justifica que a Comissão Europeia tenha dois pesos e duas medidas», disse o líder da central sindical.

«Para ajudar o investimento no setor produtivo não se pode fazer [apoiar], porque põe em causa a concorrência desleal, mas para tapar buracos do setor privado financeiro já é o erário público que pode pagar. Isto não faz sentido», criticou Arménio Carlos, acrescentando que, neste ponto, o ministro «reconheceu» esta «dicotomia» de posições.

O secretário-geral da CGTP deixou ainda outro alerta quanto às possíveis forças externas que, no seu entender, estão empenhadas no encerramento dos estaleiros de Viana do Castelo.

«É uma postura política e ideológica da Comissão Europeia para dizimar a indústria naval no sul da Europa, nomeadamente na Galiza e em Viana do Castelo, e assim retirar estas empresas que são fortes concorrentes à aquisição da carteira de encomendas da modernização dos navios com a introdução do segundo casco», afirmou.

«Está-se tudo a preparar para ir para os estaleiros da Alemanha, para alguns estaleiros do centro da Europa e para os estaleiros da Polónia», avisou Arménio Carlos.

O secretário-geral da CGTP disse ainda que vai pedir uma de audiência ao comissário europeu da Concorrência, Joaquín Almunia.