O presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, considerou esta quarta-feira que os casos de alegada corrupção que envolvem altos dirigentes do Estado e um ex-primeiro-ministro afetam a imagem do país e descredibilizam a classe política.

«Espero que a justiça funcione, que tudo isto seja clarificado. Não vamos julgar na praça pública aquilo que seguramente a justiça virá a demonstrar se há ou não culpa, mas é a imagem do país que está afetada, é a credibilidade desta nossa democracia, é o descrédito da classe política. São maus exemplos», afirmou, à margem da conferência anual de Serviços Partilhados e Compras Públicas.


Já a presidente do Conselho de Finanças Públicas, Teodora Cardoso, desvalorizou o impacto destes casos sobre a reputação do país.

«É claro que estas coisas nunca são boas, mas não somos o único país onde estas coisas acontecem. Infelizmente estes exemplos estão a multiplicar-se e agora temos é de os resolver bem e mostrar que o país não está todo envolvido nisto», comentou Teodora Cardoso, à margem da mesma conferência.


António Saraiva acrescentou que os vistos ‘gold’ foram favoráveis à captação de investimento na área do imobiliário, esperando que a investigação que culminou com onze arguidos e a detenção do presidente do Instituto dos Registos e Notariado, diretor do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e da secretária-geral da Justiça, não comprometam uma medida que considerou «virtuosa».

«Não vamos diabolizar este processo só porque houve a tal maçã podre neste cesto de boa fruta», sublinhou o dirigente da CIP.

«Cabe-nos a nós dar uma imagem do país que efetivamente somos, o país somos todos nós, não é este ou aquele mau exemplo, não é esta ou aquela maçã podre. O cesto somos todos nós e temos condições para demonstrar isso», destacou.


Na semana passada, foi igualmente detido o ex-primeiro-ministro José Sócrates, no âmbito de uma outra investigação.

José Sócrates está indiciado por fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e corrupção, sendo esta a primeira vez que é aplicada a prisão preventiva a um ex-primeiro-ministro em Portugal.