O PSD disse hoje ter acolhido com «alguma estranheza» as declarações de quarta-feira do ministro das Relações Exteriores angolano, que disse que o país deixou de considerar prioritária a cooperação com Portugal.

«Vamos tentar compreender se neste momento há algum tipo de situação que incomode Angola para além daquilo que é público», declarou o deputado social-democrata António Rodrigues no parlamento.

Falando aos jornalistas no final de uma reunião da bancada parlamentar do PSD, o deputado diz que «nada justifica» a observação do ministro angolano e «é naturalmente bom para os dois países» e para os cidadãos que haja boas relações entre os dois estados.

António Rodrigues diz que a entrevista do ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) Rui Machete é um «pretexto apenas» para a polémica, deixando no ar que há «interesses de pessoas» e de outros países em acentuar algum mal-estar entre Portugal e Angola.

Angola deixou de considerar prioritária a cooperação com Portugal, anunciou em entrevista à Televisão Pública de Angola (TPA) o ministro das Relações Exteriores angolano, que elegeu a África do Sul, China e Brasil como alternativas.

«Angola vai olhar para outros horizontes e vai pensar a sua política externa com outras prioridades. Temos outros parceiros também ou muito mais importantes», salientou Georges Chikoti.

Quanto à realização da primeira cimeira luso-angolana, inicialmente prevista para o final deste ano e adiada para fevereiro de 2014, o chefe da diplomacia angolana disse não ter «muita certeza» sobre a sua realização.

Em meados de setembro, o ministro dos Negócios Estrangeiros português pediu desculpa a Luanda por investigações do Ministério Público português a empresários angolanos.

Rui Machete disse à Rádio Nacional de Angola (RNA) que as investigações não eram mais do que burocracias e formulários referentes a negócios de figuras do regime angolano em Portugal.