O secretário-geral do PS insistiu hoje que o PS recusará qualquer aproveitamento político sobre as consequências do flagelo dos incêndios, mas advertiu que o seu partido será firme na exigência do apuramento de responsabilidades.

A posição foi assumida pelo secretário-geral do PS após um almoço da candidatura socialista à Câmara Municipal de Oeiras, na véspera de efetuar uma visita ao Comando Nacional de Operações de Socorro da Autoridade Nacional de Proteção Civil.

Interrogado sobre as consequências dos incêndios florestais em Portugal, António José Seguro, começou por lamentar a recente morte do bombeiro Bernardo Cardoso.

«Tal como afirmei em Évora, não vou fazer qualquer aproveitamento político e partidário da desgraça que vitimou bombeiros e que está a vitimar muitas famílias por esse país fora», disse.

Com a visita ao Comando Nacional de Operações de Socorro, na quinta-feira ao fim da manhã, o secretário-geral do PS disse ter como objetivo «inteirar-se sobre a situação e recolher mais informações».

«Mas é preciso que haja apuramento de responsabilidades. Isso é o que o país exige e o PS será firme no apuramento dessas responsabilidades», disse, antes prestar homenagem aos bombeiros portugueses e solidariedade às famílias dos bombeiros que faleceram e aos portugueses que perderam bens e património.

«Haverá o tempo da avaliação e do pedido de responsabilidades. Este é o tempo de apoiar os bombeiros», frisou.

Seguro ataca Passos

António José Seguro acusou ainda o primeiro-ministro de se esconder atrás das palavras, dizendo que Passos Coelho chama ajustamento às políticas de «empobrecimento», requalificação aos despedimentos e reforma do Estado aos cortes.

O líder do PS insistiu na sua suspeita de que o executivo adiou o anúncio de mais medidas de austeridade para o período pós-eleitoral, e alegou que «os portugueses já estão habituados que o primeiro-ministro e o PSD digam uma antes de eleições e façam outra após as eleições».

«Há dois anos o primeiro-ministro também disse que não iria despedir funcionários públicos, que não iria cortar salários, que não retiraria os 13.o e 14.o meses aos funcionários públicos e depois fez exatamente o contrário. Os portugueses já estão habituados sobre o que valem as palavras do PSD e do Governo em vésperas de eleições», advogou Seguro.

Neste contexto, o secretário-geral do PS comentou também a declaração de Pedro Passos Coelho em que rejeitou em absoluto estar a colocar em curso uma política de empobrecimento do país.

«É preciso que o primeiro-ministro deixe de simular e de se esconder atrás das palavras. [Pedro Passos Coelho] chama aos despedimentos requalificação, aos cortes chama reforma do Estado e ao empobrecimento do país chama ajustamento. As pessoas sabem que infelizmente não é assim», apontou o secretário-geral do PS, numa iniciativa em que estiveram presentes o presidente honorário do seu partido, Almeira Santos, o mandatário da comissão de honra da candidatura do PS/Oeiras, o economista João Ferreira do Amaral, e o ex-líder da UGT (candidato a presidente da Assembleia Municipal) João Proença.

Nas suas declarações, o secretário-geral do PS invocou a situação de dificuldade de muitos professores, empresários, idosos e reformados.

«A questão é muito simples: É preciso parar com esta política que conduz ao empobrecimento, que não resolve nenhum problema, que não cumpre nenhuma meta orçamental, enquanto a dívida já ultrapassa os 130 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). O PS é defensor do equilíbrio das contas públicas, mas que tem de ser alcançado com os portugueses e não contra os portugueses», disse.

Na perspetiva de António José Seguro, o ajustamento de fala o primeiro-ministro «não tem em conta as consequências sociais e económicas no país - e nós não podemos suspender os portugueses».

«Ou saímos desta crise todos juntos e com todos os portugueses, ou então é um péssimo trabalho que está a ser feito», acrescentou.