O secretário-geral do PS moderou esta quinta-feira expectativas sobre novos compromissos com o Governo após o acordo na reforma do IRC, frisando que a parte não pode ser confundida com o todo e que há divergências de fundo.

António José Seguro falava aos jornalistas após ter estado reunido com a DECO (Defesa do Consumidor) no âmbito do programa de iniciativas do PS denominado «Combater as desigualdades e a exclusão social».

Questionado se o acordo alcançado entre PS e maioria PSD/CDS na reforma do IRC se poderá traduzir em outros compromissos em torno de reformas estruturais, o líder socialista moderou expectativas e vincou diferenças de fundo face ao atual Governo.

«É sabido que a parte não pode ser confundida com o todo. Nesta parte [reforma do IRC] foi possível chegar a um compromisso, o que representa uma boa notícia para as empresas e para os trabalhadores portugueses, mas isso não significa que não exista uma grande divergência quanto à opção fundamental para este país», respondeu o secretário-geral do PS.

De acordo com António José Seguro, o PS «recusa a via do Governo de empobrecimento, que não produz qualquer ajustamento e que a única coisa que produz é a destruição da capacidade produtiva com consequências sociais muito graves, como o elevado número de desempregados, as situações de pobreza e o dizimar da classe média».

Um jornalista colocou em seguida a possibilidade de o acordo com PSD e CDS em torno do IRC poder gerar contestação na bancada socialista, mas António José Seguro reagiu com ar de espanto e com uma nova pergunta: «Acha?»

Nas suas declarações, o líder socialista frisou que o PS, na sua ação política, terá «sentido de responsabilidade» e assumir-se-á sempre como oposição «construtiva».

«O país tem graves problemas e o que nós devemos fazer é apresentar soluções. Quando essas soluções convergem com a de outros partidos ou com o Governo, isso é positivo. Mas quando não coincidem também é positivo, porque significa que reforçamos a nossa alternativa», disse o secretário-geral do PS.

Ainda em referência ao acordo em torno da reforma do IRC, o secretário-geral do PS disse que «foi a jogo» com as suas próprias propostas, tendo como objetivos cimeiros «o emprego e o crescimento».

«As pequenas e médias empresas contratam mais de 75 por cento dos trabalhadores e representam mais de 90 por cento do tecido produtivo. Foi uma vitória daqueles que não se resignam e que querem trabalhar para que aqueles que produzem riqueza (os trabalhadores e os empresários) possam ter mais apoios. Foi isso que nós fizemos», acrescentou.