O secretário-geral do PS desafiou o primeiro-ministro a que «cumpra a sua palavra e aumente o salário mínimo nacional», uma medida que o dirigente socialista considera que já devia ter sido aplicada.

De acordo com a edição de hoje do jornal Expresso, a proposta para aumentar o salário mínimo vai ser levada pelo Governo à concertação social no próximo mês, com o intuito de entrar em vigor de imediato.

«O que é fundamental é que o Governo, de uma vez por todas, inicie um processo que tem um grande consenso na sociedade portuguesa, quer por parte dos representantes dos empresários, quer por parte dos representantes dos trabalhadores, no sentido do aumento do salário mínimo nacional. É esse desafio que eu deixo ao primeiro-ministro: cumpra a sua palavra e aumente o salário mínimo nacional», afirmou o dirigente socialista, António José Seguro, aos jornalistas, depois de uma visita a Vila do Conde e ao porto de pesca da Póvoa de Varzim.

Depois de sublinhar que o primeiro-ministro já havia dito que iria levar o assunto à concertação social, António José Seguro realçou não fazer «nenhuma competição em relação ao que deve ser o valor do aumento», algo que deve ser discutido por representantes dos trabalhadores e dos empresários, apelando a um acordo de longo prazo.

«Deve haver uma política de rendimentos e esse aumento do salário mínimo nacional deve estar previsto e indexado ao crescimento da nossa economia, à produtividade do país, mais inflação para os anos futuros. Porque é muito importante que as famílias e os trabalhadores saibam com aquilo que podem contar e não apenas ficar dependentes dos humores e das opções de um primeiro-ministro», declarou o secretário-geral do PS.

No dia 21 de março, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, que falava durante a conferência de imprensa no final do Conselho Europeu, em Bruxelas, afirmou que o Governo já tinha a intenção de «suscitar um debate sobre o salário mínimo nacional» este ano, na concertação social, cujo aumento está diretamente ligado à competitividade da economia portuguesa.

Desde essa altura que UGT e CGTP têm vindo a reforçar a sua posição sobre este tema, tendo as confederações patronais manifestado abertura para iniciar a discussão.

Seguro condena «todas as irregularidades» em processos eleitorais

No porto de pesca da Póvoa de Varzim, o secretário-geral do Partido Socialista pronunciou-se também sobre a situação das eleições para a Federação Distrital de Braga e condenou «todas as irregularidades» eleitorais, independentemente da sua origem.

«Felizmente introduzi regras no PS que permitem detetar as irregularidades e corrigi-las», acrescentou o secretário-geral do PS.

No dia 19 de agosto, o presidente da Comissão Organizadora do Congresso (COC) federativo do PS/Braga assumiu «não haver condições» para eleições «transparentes» para a Federação Distrital socialista por existirem «graves irregularidades» nos cadernos eleitorais provisórios, ligadas ao pagamento «irregular» de quotas a militantes.