Apostar no capital humano, fomentando a criatividade e a inovação, é essencial para conseguir criar um novo modelo económico que seja sustentável e competitivo, disse hoje o secretário-geral do Partido Socialista (PS), António José Seguro.

Seguro falava em Madrid para os mais de 2.500 participantes, entre militantes e convidados, no segundo dia da Conferência Política do PSOE, que termina no domingo.

Num painel sobre globalização, na segunda sessão plenária da conferência, Seguro dividiu o palco com o ex-presidente do Governo espanhol, Felipe González e com a porta-voz do PSOE no Congresso de Deputados madrileno, Soraya Rodríguez.

Seguro defendeu uma Europa de verdadeira união económica, apostada na sustentabilidade e competitividade, o que obriga «a não regressar ao passado» e a fomentar a inovação e a criatividade.

Ao mesmo tempo, disse, é essencial acompanhar a «globalização dos mercados» com a globalização das democracias, avançando, a nível europeu, com a integração fiscal, monetária e política.

«Na Europa há soluções. Há uma solução, dentro da UE, para o problema da dívida, mas não se aplica porque não há vontade política. Na UE temos solução para o problema do financiamento dos Estados, e se não se aplica é por vontade política e porque alguns países ganham com esta situação atual», afirmou.

Seguro referiu-se ao «falhanço» evidente nos dados do défice em Portugal, apesar da austeridade, o que evidencia a necessidade de «dar prioridade à economia e ao emprego, com políticas amigas dessa economia» e do emprego.

«O défice não se moveu este ano mas aplicaram 5 mil milhões de euros, o que representa mais de dois pontos do PIB, de austeridade. E não se tira consequências dos que passa? E as pessoas não mudam?», questionou.

Felipe González, por seu lado, referiu-se ao «fenómeno irreversível» da globalização, afirmando que há problemas de que a sociedade europeia não consegue escapar, como por exemplo o a questão demográfica «com uma pirâmide populacional que se inverteu e está a crescer por cima e a diminuir por baixo».

Na sua intervenção González disse que os últimos anos demonstram que é necessário mudar a política económica, abandonando a prática de baixar salários que tem marcado a resposta à crise.

«Para que haja coesão social, a economia tem que competir na economia global e não o pode fazer com salários baratos. Temos que nos atrever a dizer que a resposta para a economia da globalização é uma política social-democrata», afirmou.

Comparando a situação na Europa com os países emergentes, o ex-líder espanhol - que também liderou um comité de sábios sobre o futuro da UE ¿ disse que enquanto «os países emergentes estão a lutar por assentar as bases do Estado de bem-estar, na Europa está a ser afundado».

González recordou que «o atual o modelo da globalização redistribui desigualmente os rendimentos», algo que se tornou ainda mais patente nos últimos anos.

Como exemplo cita o Brasil onde «há menos pobres, mas onde a distância entre os que mais têm e os que menos têm continua a crescer», tendência que se evidencia igualmente na China.

Falando para a plateia do seu partido, González insistiu que os socialistas «não se devem distrair», centrando-se no debate sobre «o que importa aos cidadãos», nomeadamente que tipo de modelo económico deve ser aplicado para sair da crise e forjar uma «proposta diferenciada».

Neste aspeto defendeu que o PSOE deve «revolucionar as expectativas» e «começar a pensar como se reparte no futuro o tempo de trabalho disponível e como se unem os salários à competitividade e a produtividade».

Uma resposta clara e «audaz» para que tenham trabalho, «os jovens, os desempregados de longa duração e também quem quer continuar a trabalhar para além do que agora se chama idade de aposentação».