O secretário-geral do PS advertiu que, se Portugal for sujeito a um segundo programa, a culpa será do primeiro-ministro, enquanto Passos Coelho acusou Seguro de querer um pretexto para eleições.

António José Seguro e Pedro Passos Coelho trocaram estas acusações no debate quinzenal, no parlamento, num debate duro, que foi por momentos interrompido pela presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, em virtude dos elevados níveis de ruído nas bancadas do PS e do PSD.

Seguro começou por questionar o primeiro-ministro se mantém o que a afirmara a 4 de outubro passado «de que Portugal não precisaria de um segundo programa», tendo Passos Coelho acusado o líder socialista de «procurar confundir os portugueses» com a eventualidade de um programa cautelar.

«Isso é lamentável. No dia em que o senhor deputado quiser, sem demagogia, estou disponível para discutir o fecho do nosso programa de assistência. Estou disponível para uma discussão séria, mas não para clichés», avisou o líder do executivo.

Seguro pediu a Passos para não se irritar e contrapôs que o esclarecimento sobre a eventualidade de um segundo programa «é da maior importância para o país», tendo de ser discutido abertamente, com transparência, no parlamento, e não a dois.

«É aqui, no parlamento, que o senhor primeiro-ministro tem de debater connosco, porque tem aqui os representantes do país», sustentou, antes de confrontar Passos Coelho com as recentes posições do ministro da Economia, Pires de Lima, em Londres, sobre as negociações para um programa cautelar.

«Pare de jogar com as palavras. Só há quatro formas de regressar a mercado, das quais só uma delas dispensa programa. Todas as outras, chame o que quiser, exigem condicionalidades» para o Estado Português, referiu Seguro, antes de deixar um aviso a Passos.

«Se o país necessitar de um segundo programa é porque o seu programa não teve êxito e a responsabilidade é sua. Não venha novamente tentar aligeirar responsabilidades, porque ninguém lhe perdoará esse falhanço. Se houver necessidade de um segundo programa a culpa é sua, do seu Governo e tem de tirar todas as consequências desse falhanço. Não terá perdão», afirmou o secretário-geral do PS.

Passos respondeu com ironia: «Disse que há quatro formas de regressar aos mercados, que só uma delas não é sujeita a condicionalidade e que as outras três, apesar de permitirem o regresso a mercado, significam que não tiveram êxito. Deduzo que teve êxito a estratégia do PS que nos conduziu ao Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF)», declarou, recebendo muitas palmas do PSD.

Para o primeiro-ministro, o secretário-geral do PS anda a explorar esta matéria do regresso aos mercados, depois de «ter andado a pedir eleições a todo o custo».

«Agora tem de encontrar um pretexto qualquer para poder dizer que tem de haver eleições. Quer andar daqui até às eleições europeias a pedir eleições sem pedir. Isso é tão óbvio e ficava-lhe bem melhor se o assumisse diretamente», reagiu o primeiro-ministro.