O secretário-geral do PS afirmou hoje que a troika utiliza os mesmos argumentos do Governo português e revela uma «enorme insensibilidade» face à atual situação dos portugueses ao afastar uma flexibilização das metas do défice.

António José Seguro falava aos jornalistas, após ter visitado o Hospital de Cantanhede, na companhia do candidato socialista à Câmara deste município, o médico Carlos Ordens.

De acordo com o secretário-geral do PS, a troika (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional) «usa os mesmos argumentos do primeiro-ministro [Pedro Passos Coelho] e do Governo português, considerando que Portugal está no bom caminho».

«Eu não tenho essa opinião, nem a esmagadora maioria dos portugueses», declarou, depois de ser interrogado sobre o resultado da reunião desta manhã entre a direção do PS e os representantes da troika no âmbito da oitava e nova avaliação ao Programa de Assistência Económica e Financeira a Portugal.

Seguro referiu que na reunião o PS propôs que o défice para 2014, «no mínimo, pudesse ficar em cinco por cento - aliás, no caminho apontado pelo relatório do FMI, que diz que é necessário reconhecer erros» da austeridade excessiva aplicada nos países sob assistência financeira.

No entanto, de acordo com o secretário-geral do PS, perante uma eventual flexibilização do défice para 2014, «a troika respondeu da mesma forma que o primeiro-ministro e o Governo, com uma insensibilidade enorme em relação a estas matérias».

«O défice em pelo menos cinco por cento origina que não seja necessário fazer um corte nas pensões ou aplicar a TSU às pensões da Segurança Social, aliviando-se assim os sacrifícios e a dor dos portugueses», justificou.

Para António José Seguro, com a apresentação da proposta no sentido de uma maior flexibilização do défice, «o PS cumpriu a sua missão».

«Agora, se a troika e o Governo estão do mesmo lado e utilizam os mesmos argumentos, isso parece-me já uma falta de sensibilidade social e também de conhecimento da realidade portuguesa», sustentou.

António José Seguro contestou também a tese, que disse ser da troika e do Governo, de que um eventual abrandamento da austeridade poderá gerar desconfiança nos mercados.

«Ainda hoje a [agência de rating] Standard & Poors ameaçou cortar o rating de Portugal, o que significa que, infelizmente, também junto dos mercados Portugal não está a ganhar credibilidade. Ainda hoje houve mais uma emissão de dívida e pagámos juros mais altos», observou o secretário-geral do PS.

Em relação ao mais recente relatório do FMI, criticando a austeridade excessiva, Seguro disse que «nem o PS nem os portugueses compreendem» as contradições existentes nesta instituição internacional.

«O FMI refere erros cometidos desde o início do ajustamento, mas não tira consequências. Ora, as consequências seriam parar com os cortes. Mas nem o Governo nem a 'troika' tiram essas conclusões. O Governo e a 'troika' estão sempre do mesmo lado», acrescentou.