O ex-Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), António Guterres, afirmou que há “sérios riscos” do sistema europeu de asilo e do espaço Schengen “colapsarem” porque há “cada vez mais” países a recusarem entrada de refugiados.

“No momento em que os europeus precisavam de se unir, infelizmente continuam a desunir-se, o que é péssimo para os refugiados”, sustentou no debate “Estudo de Caso: A tragédia dos refugiados e a resposta internacional”, na segunda-feira à noite, na Fundação de Serralves, no Porto.

O ex-primeiro-ministro português frisou que “as coisas em vez de estarem a melhorar estão a piorar”, lembrando que o drama dos refugiados é uma “tragédia” e um “mau sintoma” da situação atual de um mundo “cada vez mais perigoso”.

Na sua opinião, a Europa tem uma “necessidade vital” de acolher os refugiados devido a questões demográficas e deve fazê-lo de forma organizada, em vez de sofrer “efeitos de uma situação caótica” que ninguém controla.

“Em alguns países europeus há a ideia de que o terrorismo é fruto dos movimentos de refugiados. Claro que pode haver tentativas de infiltração, mas o problema central da Europa do ponto de vista do terrorismo não é esse, é um problema interno”, considerou.


António Guterres recordou que quando tomou posse como Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados havia 36 milhões de pessoas deslocadas por conflito, quer internamente, quer externamente, e quando cessou funções, em dezembro de 2015, havia mais de 60 milhões.

O ex-primeiro-ministro português ressalvou que a Europa não “fez o suficiente” na ajuda humanitária aos refugiados.

Quanto a Portugal, António Guterres salientou que o país não é procurado porque “está longe”, portanto, não corre riscos de sofrer um “movimento avassalador”.

Contudo, António Guterres considerou que Portugal teria “muito a ganhar” em ter uma política ativa de acolhimento de refugiados porque ajudaria a “vencer o seu problema demográfico”.

“Seria importante Portugal ter uma voz mais ativa neste domínio”, disse.


António Guterres realçou que grande parte dos refugiados vem de zonas rurais, podendo ter um “papel importante” na revitalização dessas zonas em Portugal.

Na semana passada, o atual Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados afirmou ao canal televisivo britânico BBC que os Estados Europeus podem receber mais refugiados da Síria, se trabalharem melhor.

De acordo com o portal da BBC, Filippo Grandi instou a União Europeia a fazer mais pelos refugiados sírios fora da Europa.