Os deputados da Assembleia da República aprovaram esta quinta-feira por unanimidade um voto de congratulação a António Guterres, aplaudindo, no final da leitura do texto, a escolha do português para o cargo máximo das Nações Unidas.

A Assembleia, nota o texto aprovado - com o apoio do Governo também -, "congratula-se vivamente" com a indicação de Guterres para o cargo de secretário-geral das Nações Unidas e "aguarda, com grande expectativa, a confirmação da sua eleição pela assembleia-geral da ONU".

O texto diz que "há uma nação que se enche de orgulho e emoção" no dia de hoje, e enaltece as "sucessivas audições, debates e votações sempre vencidas com enorme brilho e sucesso por António Guterres" nos últimos meses.

Depois de lido o texto, pelo vice-presidente da Assembleia da República Jorge Lacão, os partidos e o executivo, pelo secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, intervieram e prestaram homenagem a Guterres.

A abrir, o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, realçou que este foi um "processo exigente", todavia "marcado pela competência" do candidato português, aproveitando ainda para enaltecer a "estrutura diplomática" portuguesa.

Depois, o líder parlamentar do PS, Carlos César, vincou que foi uma "vitória do mérito próprio e de uma vida ao serviço das pessoas", acrescentando que este é um dia de "grande alegria" não só para os socialistas, "por razões de filiação natural" de Guterres, mas para todos os portugueses.

O chefe da bancada do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares, declarou que esta foi uma "vitória de um processo diplomático limpo e transparente", e manifestou o desejo de que a chegada de Guterres ao cargo mais alto da ONU se "materialize numa nova centralidade da paz e dos direitos humanos no mundo".

Esta escolha honra Portugal e seguramente honrará as Nações Unidas. Esta é uma vitória em primeiro lugar de António Guterres, mas também da transparência no método de escolha", sublinhou por sua vez Nuno Magalhães, líder da bancada do CDS-PP.

Já João Oliveira, líder parlamentar do Partido Comunista Português (PCP), reconheceu que "ficou de facto ultrapassada a mais importante das etapas" no caminho de Guterres, e desejou sucessos na "exigente missão" que o português "tem pela frente".

Heloísa Apolónia, deputada do partido ecologista "Os Verdes", enalteceu a "significativa experiência" de Guterres no trabalho, por exemplo, com os refugiados: o português" tem um conhecimento muitíssimo real dos problemas", advogou.

Já o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares Pedro Nuno Santos, que encerrou a sessão, reiterou a "satisfação e orgulho" do Governo - e concretizou: "As Nações Unidas conseguiram eleger o melhor. E essa é a maior vitória em todo este processo".

O Conselho de Segurança da ONU escolheu hoje por unanimidade e aclamação o antigo primeiro-ministro português António Guterres como secretário-geral da organização.

A escolha do Conselho de Segurança, o principal órgão decisório das Nações Unidas, deverá agora ser ratificada pela assembleia-geral da organização.