O candidato a secretário-geral da ONU António Guterres disse esta quinta-feira em Nova Iorque que esta semana foi "crucial" para a sua campanha, referindo-se à Assembleia Geral da organização, em Nova Iorque.

"Acho que esta semana foi uma semana crucial. Segunda-feira há a última votação, em que os países do Conselho de Segurança que são permanentes não votarão numa cor separada e, portanto, é uma espécie de 'pole position'" para o processo final, disse o antigo primeiro-ministro.

O português passou a semana na Assembleia Geral da ONU a multiplicar os contactos feitos nos últimos meses.

António Guterres venceu as primeiras quatro votações secretas para o cargo, que aconteceram a que aconteceram a 21 de julho, 05 de agosto, 29 de Agosto e 09 de setembro.

O candidato mostrou-se também "muito satisfeito" com a ação do Presidente da República, que fez uma "campanha muito eficaz" na ONU.

"[É] extremamente importante. Quero agradecer muito, muito ao Sr. Presidente da República o enorme entusiasmo com que ele aqui defendeu a minha candidatura com todos os seus interlocutores", disse Guterres, ex-primeiro-ministro de Portugal e ex-alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados.

António Guterres agradeceu também o esforço feito pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, pelo "governo, pelos partidos da oposição, pela diplomacia portuguesa e, em particular, pelo Sr. Embaixador [de Portugal na ONU] e os seus colaboradores."

"Tem havido, de facto, uma solidariedade, um entusiasmo, um empenho que me deixam muito sensibilizado", disse António Guterres, afirmando que "se esta candidatura vier a ter um bom resultado, [o que] ainda estamos muito longe de saber, isso vai dever-se essencialmente a toda essa solidariedade e a todo esse empenhamento.

Durante toda a semana, Marcelo Rebelo de Sousa e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, promoveram a candidatura de Guterres nos encontros bilaterais que mantiveram com dezenas de países.

António Guterres disse esta quinta-feira, em Nova Iorque, que está "preparado" para os desafios do cargo, se for escolhido.

"Estou preparado para o fazer, se vier a ser escolhido, mas também tendo consciência de que há ainda muitas etapas a percorrer e que, sobretudo, é muito imprevisível a fase final desta escolha", declarou o candidato.

Ainda assim, o antigo primeiro-ministro continua cauteloso.

"Como dizia o Jean Monnet, nem otimista, nem pessimista, mas determinado. Estou a fazer aquilo que posso no sentido de oferecer esta disponibilidade para uma função, que, sendo extremamente difícil, se torna hoje muito importante, dado que o mundo passa por momentos muito complicados", explicou.

Questionado sobre a Rússia ser um obstáculo à sua candidatura, António Guterres disse que discordava.

"Não há nenhum obstáculo, há um reconhecimento de que compete agora aos membros do Conselho de Segurança encontrar a melhor solução. Espero que esse juízo me seja favorável, mas, para já, tenho tido com todos os países do conselho de segurança um excelente diálogo", afirmou o antigo Alto Comissário para os Refugiados.

Duas outras votações estão agendadas: uma semelhante às primeiras quatro, que acontece a 26 de setembro, e uma na primeira semana de outubro, em que os votos dos membros permanentes do conselho, que têm poder de veto sobre os candidatos, serão destacados.

A organização das Nações Unidas espera ter encontrado o sucessor de Ban Ki-moon, que termina o segundo mandato no final do ano, durante o outono.