O atual Alto-comissário para os Refugiados da ONU, António Guterres, admitiu implicitamente ter a «porta aberta» para se candidatar à Presidência da República Portuguesa. Em declarações ao semanário «Expresso», o ex-primeiro-ministro afirmou que é «sempre livre de decidir» sobre a própria vida. Na sexta-feira, o semanário «Sol» deu como certo que António Guterres estava fora da corrida a Belém, preferindo permanecer ao serviço das Nações Unidas.

António Guterres tomou posse em junho de 2005 - está atualmente a cumprir o segundo mandato de cinco anos à frente do ACNUR - devido à demissão do anterior Comissário, o primeiro-ministro holandês Ruud Lubbers, envolvido num escândalo de assédio sexual. Se tudo tivesse decorrido dentro do calendário, Guterres teria tomado posse apenas no final do ano de 2005, daí que, de acordo com o jornal «Expresso», a ONU esteja agora a decidir se o antigo governante português sai no final do mandato ou fica até dezembro de 2015, final do ano civil, altura em que a ONU substitui os titulares dos altos cargos.

Em declarações ao semanário, Guterres foi claro: «Sou sempre livre de decidir a minha vida». Ou seja, não exclui uma candidatura ao lugar de Cavaco Silva, ainda que também não a admita. Conforme explicou ao «Expresso», «é uma simples questão técnica que Nova Iorque está a analisar, dado que excecionalmente eu comecei em junho por causa do problema do meu predecessor e não é claro se devo acabar em junho ou, como é normal, no fim do ano». E sublinhou: «Independentemente da interpretação que vingar, eu sou sempre livre de decidir a minha vida. Tudo isto é, portanto, muita parra e pouca uva».

Já o jornal  «Público», cita este sábado uma fonte próxima do ex-primeiro-ministro para dizer que, quando questionado sobre a hipótese de prolongar o mandato por mais seis meses, António Guterres respondeu que «tanto lhe fazia». Até porque um eventual acertar do calendário da ONU que lhe prolongue o mandato até ao final de 2015 não o impede de se candidatar à Presidência da República: a lei não prevê qualquer obstáculo a Guterres na corrida a Belém.
 
António Guterres é o candidato ideal dos socialistas para as presidenciais, que se realizam em Janeiro de 2016, embora outros nomes tenham vindo a público, enquanto o ex-primeiro-ministro não afirma se está ou não na corrida a Belém, como Sampaio da Nóvoa ou Jaime Gama.