O candidato a secretário-geral das Nações Unidas António Guterres admitiu esta sexta-feira que a cotação da sua corrida "subiu um bocadinho", mas sem esquecer que "o processo é longo" e que os elementos de decisão "são muito complexos".

António Guterres participa hoje, a convite do líder do PSD, Pedro Passos Coelho, no almoço da reunião do comité executivo da Internacional Democrata do Centro, que decorre em Lisboa, tendo sido questionado pelos jornalistas sobre as perspetivas em relação à sua candidatura, depois da audição de terça-feira na assembleia geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que recebeu muitos elogios.

É bom não esquecer que é um longo processo e portanto é um pouco como as cotações na bolsa. Penso que agora a cotação subiu um bocadinho, mas não esquecer que o processo é longo, mas que os elementos que vão ter que ser tidos em conta pelos protagonistas da decisão são muito complexos", disse.

Para o antigo primeiro-ministro, existe o dever de fazer "o possível para ter uma candidatura sólida e para ter um projeto sólido para as Nações Unidas e depois caberá aos órgãos de chefia na altura própria".

Questionado se está otimista com uma possível vitória, Guterres socorreu-se do político francês Jean Monnet: "nem otimista, nem pessimista. Estou determinado".

O antigo secretário-geral do PS (exerceu estas funções entre 1992 e 2002) agradeceu a Passos Coelho e ao PSD esta oportunidade de "falar a uma família política de enorme importância no quadro internacional".

Estas oportunidades são extraordinariamente importantes na medida em que, embora as decisões se formalizem num quadro bem definido dos órgãos das Nações Unidas, a verdade é que como o processo se abriu a influência das diversas forças políticas à escala global, mesmo das opiniões públicas, das sociedades civis é hoje muito mais importante do que era no passado", explicou.

Já Passos Coelho ressaltou aos jornalistas que esta era uma "boa oportunidade" para que António Guterres pudesse trazer aquela que é a sua perspetiva das mudanças necessárias à escala global em muitas dimensões, "mas em particular, nos problemas ligados aos refugiados e às migrações".

O candidato que tem merecido um amplo consenso em Portugal, é a pessoa que melhor pode trazer essa sua experiência e essa sua visão para as Nações Unidas, num tempo em que problemas desta amplitude só podem mesmo ser atacados e resolvidos à escala global", defendeu.

Sublinhando o "passado bastante recheado de experiência política", o líder do PSD espera que com esta participação no encontro Guterres "possa melhorar um bocadinho as perspetivas" para ser secretário-geral das Nações Unidas.

"É essa a nossa motivação depois da belíssima prestação a que todos tivemos oportunidade de assistir esta semana com a sua apresentação. Temos hoje boas razões para acreditar que temos efetivamente um candidato português que pode acrescentar muito valor aquilo que é a necessidade de reformar um bocadinho as Nações Unidas", defendeu.