António Costa afirmou este domingo que vê com muita apreensão a greve dos pilotos na TAP, considerando que se trata do culminar de “um processo que tem sido muito negativo”, referindo-se à privatização da empresa.

“É o culminar de todo um processo que tem sido muito negativo. Foi negativa a decisão da privatização, foi muito negativa a decisão de que a privatização fosse a 100% e foi muito negativa a decisão de a privatização ter sido feita no final da legislatura.”


O líder socialista, que falou aos jornalistas à margem de uma visita à Ovibeja, teceu duras críticas ao Executivo de Passos, acusando-o de ter avançado “teimosamente” para a privatização da empresa contra a vontade do PS, dos trabalhadores da TAP e do sentimento geral do país. E, por isso,  fez um apelo ao Governo para estabelecer um “diálogo político e social” e “desistir da segunda fase de privatização”.

“Acho que é tempo de o Governo procurar consenso, desistir da segunda fase de privatização e encontrar uma solução que garanta a viabilidade da empresa."


Para António Costa, é “incompreensível” que não se tenham esgotado os esforços junto da Comissão Europeia, para se proceder a uma capitalização pública.

"Não é verdade que a União Europeia não permita a capitalização pública."


E mesmo que o Estado não consiga sustentar essa capitalização, o líder do PS aponta outra solução.

"A solução deveria ter sido aumentar o capital da empresa por via da sua dispersão em bolsa e nunca perdendo o Estado a posição maioritária no capital da empresa."


Questionado pelos jornalistas sobre quando o PS vai anunciar uma decisão em relação ao candidato socialista às presidenciais de 2016, António Costa disse que o partido irá pronunciar-se "no momento próprio" e agora está "concentrado nas eleições legislativas".

"Aquilo que verifico é que a direita faz um enorme esforço de coligação para travar a força do PS, mas nós estamos com muita confiança, porque sabemos que a nossa força é a força dos cidadãos que querem uma mudança e uma alternativa e é isso que nos dá força", disse.

Questionado pelos jornalistas sobre como tem visto a presença de elementos do PS a acompanhar ações públicas do candidato presidencial Sampaio da Nóvoa, António Costa respondeu: "Com naturalidade".