António Costa considera que a entrada da Santa Casa no Montepio é uma boa ideia, de tal forma que só tem pena que a ideia não tenha sido dele. Palavras do primeiro-ministro, esta terça-feira, no primeiro debate quinzenal do ano, em resposta a uma intervenção de Assunção Cristas, do CDS.

Não sei de quem foi a ideia, mas tenho pena de não ter sido minha porque a ideia é uma ideia boa", sublinhou.

A líder centrista voltou a levar o tema ao hemiciclo, depois de já ter questionado o chefe do Executivo sobre este assunto, no último debate quinzenal de 2017

Costa disse que a Santa Casa é uma "entidade que tem alta liquidez", que deve "procurar diversificar os seus ativos". "Poder investir numa entidade de natureza mutualista, que é importante para o terceiro setor, é uma boa ideia", acrescentou.

O que falta saber é se essa ideia é realizável e positiva", sublinhou.

O primeiro-ministro lembrou que, neste sentido, o provedor já ordenou uma auditoria para se verificar as "vantagens e as desvantagens desse investimento".

"Não é um caso de tirar aos pobres para dar aos ricos. (...) O Montepio não é um banco qualquer, é um banco do terceiro setor", frisou.

No fim de semana, o ministro do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social assegurou que a ideia de a Santa Casa da Misericórdia entrar no sector financeiro foi de Santana Lopes. Porém, Vieira da Silva admitiu que foi o Governo que sugeriu a hipótese do Montepio.

Em causa está um investimento que pode ascender aos 200 milhões de euros, o equivalente um terço dos ativos.

A partipação da Santa Casa no Montepio tem sido motivo para uma troca de farpas entre os candidatos à liderança do PSD, Pedro Santana Lopes (que se demitiu de provedor da Santa Casa para se candidatar) e Rui Rio. 

O primeiro-ministro frisou que a questão tem surgido nesse debate interno do PSD, no qual não quer interferir.