O deputado do PSD na Assembleia Municipal de Lisboa Sérgio Azevedo criticou esta terça-feira a «ausência» de António Costa do município por causa das primárias no PS, afirmando que «mostrou as fragilidades do executivo».

Para o social-democrata, áreas como a da higiene urbana, da manutenção do espaço público, da mobilidade, da segurança e da proteção civil estão piores.

«A ausência do presidente prejudicou não só o funcionamento da sua equipa, como prejudicou a vida aos lisboetas», disse o deputado do maior partido da oposição no município, acrescentando que “foi nesse período de ausência que surgiram os maiores problemas”.

«A equipa desmontou-se. Falhou. Bastaram dois meses de ausência para pôr a nu as fragilidades do executivo», frisou, referindo-se às primárias de domingo, em que António Costa foi eleito candidato socialista a primeiro-ministo.

Nesse sentido, Sérgio Azevedo defendeu que «cumpre clarificar» quando é que o presidente vai sair da câmara.

«Se houve vencedor nas eleições primárias foi a cidade de Lisboa, que finalmente está perto de ter um presidente que a ela se dedique o ano inteiro», concluiu.

O também social-democrata Vítor Gonçalves questionou se, caso seja eleito primeiro-ministro, António Costa irá continuar a defender o financiamento das autarquias pelo imposto sobre o valor acrescentado (IVA), a municipalização dos transportes públicos em Lisboa e a transformação dos estatutos da Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa (EMEL) por decisão única da própria empresa.

Pelo CDS-PP, António Ferreira Lemos recordou a afirmação de domingo de António Costa de que aquele era «o primeiro dia dos últimos dias do Governo» para questionar se «hoje é também o primeiro dos últimos dias do presidente António Costa».

«É necessário que esta Assembleia Municipal saiba o mais depressa possível quem é o líder autárquico», afirmou.

Do lado do PS, o deputado Rui Paulo Figueiredo assegurou aos deputados da oposição que «tudo continuará a funcionar bem na cidade de Lisboa, independentemente de eventuais mexidas na câmara».

«Independentemente de qualquer acontecimento que exista na vida interna do PS, mostrámos nos últimos meses que não misturamos PS com a nossa responsabilidade no exercício das funções autárquicas. Continuaremos a trabalhar para cidade de Lisboa», afirmou.

Numa intervenção muito aplaudida, o deputado defendeu que o vice-presidente Fernando Medina vai ser «um grande presidente da Câmara de Lisboa, na linha de António Costa, João Soares e Jorge Sampaio».

Na sua intervenção, o presidente da câmara não comentou o seu futuro na autarquia, apesar de, esta terça-feira, ter afirmado que se mantém «para já» na Câmara de Lisboa.

Passos Coelho destaca o «legado de invulgar dimensão»

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, lamentou hoje a morte do ex-presidente da Assembleia da República Vítor Crespo, que classificou de «figura de grande relevo» que enriqueceu a vida do país e deixou um «legado de invulgar dimensão».

«Nesta hora de pesar, o primeiro-ministro evoca a memória de uma figura de grande relevo, que dedicou a sua vida ao serviço público, quer através de uma ilustre carreira académica, quer com uma profícua atividade política que o levou a ocupar lugares de destaque, como militante e dirigente do PSD, deputado e presidente da Assembleia da República, e ministro responsável pela área da Educação e Ciência em três Governos Constitucionais», refere a mensagem enviada à Lusa pelo gabinete do chefe do executivo.

Depois de endereçar as condolências à família do ex-presidente do parlamento, Passos Coelho recorda que Vitor Crespo «foi merecidamente agraciado com as mais altas ordens honoríficas nacionais».

«O primeiro-Ministro presta assim homenagem a um português que em muito contribuiu para o enriquecimento da vida do nosso País e que nos deixa um legado de invulgar dimensão», conclui Passos Coelho.