O secretário-geral do PS afirmou esta segunda-feira que o cenário macroeconómico «Uma década para Portugal», elaborado por vários economistas e que será apresentado na terça-feira, demonstrará que é possível acabar com a austeridade em Portugal.

Questionado se o plano que vai ser apresentado no Largo do Rato lhe permite manter o discurso de que é possível acabar com a austeridade, Costa respondeu afirmativamente, embora sem pormenorizar.

«Verificará amanhã no cenário, mas, daquilo que já conheço, posso dizer-lhe que sim», respondeu António Costa aos jornalistas.

O líder socialista afirmou ainda que o estudo macroeconómico «é muito importante porque permite ter uma ferramenta para testar, avaliar, o impacto das medidas» que o PS venha «a apresentar aos portugueses como compromissos».
 

«Acho que é essencial para este diálogo democrático os cidadãos poderem ter confiança nas propostas que lhes são apresentadas. A última coisa que poderíamos desejar era que voltasse a acontecer o que aconteceu no passado, como o atual primeiro-ministro, de prometer uma coisa na campanha e fazer outra no governo».


Aos jornalistas, Costa recusou alongar-se sobre os detalhes do documento que tem vindo a ser preparado, que classificou como «um documento técnico», e remeteu várias vezes para a sessão marcada para terça-feira.

No encerramento de um colóquio intitulado «Mais inovação e melhor economia», promovido pelo PS no ISEG, o secretário-geral do PS defendeu que o setor público deve ser «motor» na promoção de inovação e contrariou as teses mais liberais que rejeitam um Estado empreendedor por bloquear o papel do setor privado na economia.
 

«Ao contrário do que a direita diz, o Estado empreendedor não é o setor público em combate ou em disputa com o setor privado. O Estado pode e deve ter um efeito catalisador e motor no desenvolvimento da inovação».


De acordo com o secretário-geral do PS, a questão da inovação estimulada e promovida pelo setor público «é absolutamente crucial».

«Como pode o Estado ter um efeito na inovação se ele próprio não for capaz de ser inovador?», interrogou-se António Costa, numa intervenção em que voltou a criticar o recurso excessivo pelo Estado ao outsourcing, sobretudo nos últimos dez anos, desprotegendo o Estado em termos de recursos humanos qualificados.
 

«Um dos maiores desafios que se coloca a Portugal passa pela requalificação dos quadros da administração pública. Durante muitas décadas, na verdade, a administração pública foi um centro de referência de competências, mas foi perdendo - e isso desarmou o Estado em desfavor do setor privado. Por isso, a recuperação da inovação no setor público é absolutamente essencial».