O secretário-geral do PS lamenta que o primeiro-ministro recuse a sua proposta, que disse ser coincidente com a do presidente da Comissão Europeia, para que investimentos estratégicos nacionais deixem de ser contabilizados para efeitos de défice.

António Costa falava aos jornalistas após ter estado reunido com a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, depois de confrontado com a crítica feita pelo presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, no sábado, que equiparou os efeitos dessa proposta de não contabilização de certos investimentos no défice a uma operação de desorçamentação.

«Isso só demonstra que Portugal precisa de um outro Governo para ter um outro diálogo na Europa. A minha proposta é coincidente com a do presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Juncker. Perante a situação de crise económica que o país vive, de brutal desemprego que atinge os portugueses, tenho muita pena que o primeiro-ministro não nos acompanhe e [não acompanhe] o presidente da Comissão Europeia nesta prioridade em reforçar o investimento e relançar a economia», reagiu o líder socialista.

O secretário-geral do PS rejeitou ainda a existência de qualquer perspetiva de desorçamentação, porque a proposta «não prevê retirar do Orçamento».

António Costa fez questão de frisar que o presidente da Comissão Europeia apresentou muito recentemente um plano que prevê «um grande reforço do investimento público estratégico, tendo comparticipação da União Europeia, com financiamento do Banco Europeu de Investimento e com uma novidade muito importante: A previsão de que as comparticipações nacionais dos diferentes Estados-membros não sejam contabilizadas para o défice dos respetivos Estados-membros por forma a incentivar o investimento público e combater a crise económica».

«A Europa hoje tem uma prioridade que é evitar o risco de recessão, evitar o risco de uma estagnação prolongada e evitar os riscos de deflação e, para tal, uma das grandes mudanças que a nova Comissão está a introduzir é a prioridade ao investimento. A crítica que se poderá fazer ao presidente da Comissão é esse plano ser ainda pouco ambicioso e muito incerto quanto ao seu sucesso, mas é importante a ideia de que a prioridade ao investimento implica uma leitura inteligente do Tratado Orçamental [da União Europeia]», acrescentou o líder socialista.


António Costa nega problemas no PS para encontrar candidato presidencial

O líder do PS rejeitou ter problemas com as candidaturas presidenciais e, depois de questionado se estava a brincar quando falou numa terceira candidatura de Jorge Sampaio, congratulou-se por haver jornalistas com sentido de humor.

António Costa falava aos jornalistas após ter estado reunido com a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, depois de ter sido interrogado se o PS está com problemas para ter um candidato presidencial de peso nas eleições de 2016.

«Creio que não», respondeu António Costa.

O secretário-geral socialista salientou depois que o PS não apresentará um candidato presidencial, manifestando isso sim «apoio a um candidato da sua área política, ou a um militante, que tenha capacidade de vencer e que tenha as qualidades necessárias para reconduzir o país aos bons exemplos dos mandatos presidenciais de Mário Soares e Jorge Sampaio».

Interrogado sobre se, no sábado, durante o almoço dos 90 anos de aniversário de Mário Soares, terá «por brincadeira» incentivado o ex-Presidente da República Jorge Sampaio a candidatar-se uma terceira vez a Belém, António Costa desabafou: «Ah, uma jornalista com sentido de humor, até que enfim».

E ainda completou: «Estava a ver que havia poucos jornalistas com sentido de humor».