Largo da Portagem, sem ser preciso pagar tarifa. Em Coimbra, o Partido Socialista deu sinal de partida para a arruada depois das 17:00. António Costa foi recebido de forma calorosa e a Juventude Socialista, já bem rouca, deu toda a voz para puxar pela cidade dos estudantes. "Vamos ganhar", dizia-se sobre domingo. "E é hoje". Dia de Benfica. Também tinha de ser.

O ajuntamento ocupou a rua Ferreira Borges até à praça 8 de Maio. Costa começou logo por avisar que era preciso "criar espaço". A comitiva esforçava-se por distanciar um pouco mais os jornalistas e fotógrafos, chegando até a aconselhar: "Malta, se formos já para a direita facilita um bocadinho". Não teve conotação política. Era só para desviar a multidão de uma esplanada.

Entre muitas pisadelas e distribuição de rosas e bandeiras, repetiam-se os abraços, os beijinhos, as selfies e os cumprimentos da população a dar alento e força ao candidato. Houve quem se aproximasse de forma tão entusiástica que António Costa até arregalou os olhos com a força de um dos abraços. Enquanto se entoava "quanto mais a luta aquece, mais força tem o PS". 

Saindo da bolha, captavam-se aqui e ali algumas conversas entre os apoiantes a convencerem-se mutuamente que as sondagens estarão erradas e não será possível a coligação Portugal à Frente estar bem à frente do PS nas intenções de voto.

"As questões técnicas das amostras estão todas erradas", afirmava um homem que disse ser entendido na matéria. "Que haja uma grande surpresa", respondeu a interlocutora. 

António Costa até tirou fotografias à porta de uma Casa da Sorte e tudo. Aos jornalistas, respondeu que "é preciso muito trabalho para ter sorte". 

Reencontrou um socialista que com ele fez campanhas há muitos anos, que lhe quis transmitir a crença na vitória através de um abraço. 

À TVI24, o homem, Vítor Brás, emigrado em Angola há 20 anos, mas que está em Portugal há uma semana e aproveitou para se juntar hoje à caravana, falava ainda com as lágrimas nos olhos. Entre a esperança e a hesitação sobre os resultados das eleições de 4 de outubro. Vai António Costa ganhar? 

"Penso que sim... Acho que sim... Estou convencido... Não é fácil... A mobilização de alguns locais é diferente de antigamente. Se calhar não se faz campanha como antigamente. Falo pelo meu concelho [Figueira da Foz, no mesmo distrito]". 


A arruada era socialista, mas entre o ponto de partida e de chegada, Costa cruzou-se com o Livre/Tempo de Avançar a fazer campanha na cidade. E, por pouco, não viu uma iniciativa do Bloco contra as privatizações, em defesa da água como bem público, que no final da arruada já tinha desmobilizado. 
 
Também aí, em plena praça 8 de Maio, gritava-se "Todos ao comício de amanhã nos Olivais". Algo que apanhou o eurodeputado socialista Carlos Zorrinho de surpresa. Tinha discursado em Abrantes ao almoço e continuou na caravana até Coimbra, mas pensava que o comício de quinta-feira ia ser em Barcelos. "Confundi então". Já foi, aliás.