O secretário-geral do PS considerou hoje que o programa eleitoral da coligação PSD/CDS é "um saco cheio de palavras", porque "não tem as contas", revelando "fúria privatizadora", desresponsabilização do Estado e continuação da austeridade.

António Costa falava à entrada para um jantar no Círculo Eça de Queiroz, em Lisboa, depois de os líderes do PSD, Pedro Passos Coelho, e do CDS-PP, Paulo Portas, terem apresentado o programa eleitoral da coligação Portugal à Frente.
 

"Um programa eleitoral que não tem as contas feitas é um saco cheio de palavras. O primeiro-ministro acha que pode voltar a fazer uma campanha eleitoral a tentar enganar todos como fez há quatro anos e que as pessoas se deixam enganar. Mas quem está enganado é mesmo o primeiro-ministro, porque as pessoas não lhe perdoam. Nem lhe perdoam a forma como quis ir além da troika, nem lhe perdoam os fracassos na economia e nas finanças públicas", declarou o secretário-geral do PS.


António Costa classificou depois como "extraordinário que, quem não cumpriu ainda as promessas da campanha anterior, faça novas promessas".
 

"É também extraordinário que quem governou estes últimos quatro anos se apresente agora como se fosse oposição a quem governou ao longo destes quatro anos. E que depois de ter privatizado tudo o que havia para privatizar em matérias de empresas, aquilo que agora verdadeiramente nos vem dizer que quer fazer na próxima legislatura é prosseguir agora a fúria privatizadora, atacando os serviços públicos, a começar pela Segurança Social. Isso, de facto, não merece perdão", declarou o líder socialista.


Interrogado sobre o facto de a coligação PSD/CDS se comprometer em não fazer novos cortes nas pensões, António Costa defendeu que "é sempre preciso muita cautela" quando se ouvem os responsáveis sociais-democratas e democratas-cristãos.
 

"É preciso sempre muita cautela para sabermos se o que dizem é revogável ou irrevogável. É que este Governo comprometeu-se em Bruxelas [junto da Comissão Europeia], por escrito, em fazer um novo corte de 600 milhões de euros nas pensões. O que prometeu em Bruxelas é que os atuais pensionistas iam sofrer um novo corte de 600 milhões de euros", insistiu.


Neste contexto, Costa referiu ainda que, na anterior campanha eleitoral, em 2011, Pedro Passos Coelho prometera que não cortaria as pensões, "mas depois cortou-as".
 

"Agora já se propuseram a cortar 600 milhões de euros nas pensões. Imagine-se o que fariam se ganhassem [PSD/CDS] as eleições. É por isso que temos de ter muita cautela quando ouvimos esta coligação falar", advertiu ainda.


Em relação "aos primeiros sinais" do programa eleitoral da coligação PSD/CDS, o líder socialista considerou que "são claros os objetivos: Fúria privatizadora, desresponsabilização do Estado e continuação da política de austeridade".

Em contraponto, o secretário-geral do PS salientou que o seu partido, antes de apresentar o programa eleitoral, elaborou um cenário macroeconómico para aferir a margem orçamental existente para a adoção de medidas nos próximos quatro anos.
 

"Demonstrámos que é possível romper com a austeridade sem romper com o euro. Conhecemos e medimos quais são os impactos de cada medida que consta no nosso programa. Portanto, o que consta no nosso programa não são promessas, mas um conjunto de medidas estudadas", sustentou.