O primeiro-ministro afirmou esta quarta-feira acreditar que será possível evitar a greve convocada pelos sindicatos dos professores para o próximo dia 21 e considerou que a atual contestação social se deve a uma natural "ansiedade" de vários setores profissionais.

A questão da greve dos professores que, a concretizar-se, coincidirá com a época de exames foi o tema de abertura da entrevista que António Costa concedeu à SIC.

Até essa data, tenho esperança de que seja possível evitar que essa greve se mantenha. Se a greve se mantiver, a lei prevê que haja serviços mínimos - e é isso que o Governo naturalmente acionará", declarou, não abrindo assim a possibilidade de haver alteração da data dos exames.

Depois, o líder do executivo sustentou estar em curso "um esforço muito grande para a valorização da carreira docente e um processo de integração de professores vinculados, ao mesmo tempo em que se prepara para 2018 o descongelamento de carreiras na administração pública".

Não vejo nenhuma razão para que não haja um entendimento que poupe às famílias e aos estudantes essa greve", disse.

Interrogado se acabou o seu "estado de graça" enquanto primeiro-ministro, António Costa considerou que "o normal é que existam momentos de contestação social" e que haja desentendimentos com os governos.

Depois de muitos anos de espera - os funcionários públicos desde 2000 até agora só num ano não tiveram carreiras congeladas -, é natural que se gere ansiedade e insatisfação por parte das pessoas", alegou.

No caso do setor da saúde, o primeiro-ministro defendeu que o seu Governo não está a proceder a cortes financeiros, mas, antes, a uma substituição de despesa, contratando médicos, enfermeiros e técnicos para os quadros do Serviço Nacional de Saúde, ao mesmo tempo em que se diminuem as contratações externas.

Em matéria social, António Costa vincou igualmente que a partir de 01 de agosto, tal como está previsto no orçamento para este ano, haverá um aumento extraordinário das pensões.

No plano político, o líder socialista manteve a tese de que uma vitória do seu partido nas eleições autárquicas será conquistar mais câmaras e juntas de freguesia do que qualquer outro partido e reiterou a sua ideia referente a uma desdramatização de uma maioria absoluta do PS nas próximas legislativas.

Neste ponto, Costa voltou a defender as "virtudes" da atual solução governativa do PS, assente no apoio parlamentar do Bloco de Esquerda, PCP e PEV.

Embora afastando de novo qualquer coligação pré-eleitoral - já que o entendimento entre as forças de esquerda "não é tão profundo" para justificar um cenário desse tipo -, o secretário-geral socialista declarou todavia que gostaria de repetir na próximas legislatura a mesma solução de Governo.

Interrogado sobre as investigações judiciais em curso ao presidente da EDP, António Mexia, bem como a responsáveis da REN, o primeiro-ministro contrapôs o princípio: "Será a justiça a funcionar".

Porém, no que respeita aos Contratos de Manutenção de Equilíbrio Contratual (CMEC) - muitas vezes caraterizados como "rendas excessivas" pagas pelos contribuintes nas suas faturas de eletricidade -, o líder do executivo afirmou ser intenção do Governo proceder a uma "renegociação dos contratos" no termos das suas concessões, baixando assim a fatura de eletricidade para os cidadãos e as empresas.

Vamos tentar atrair novas tecnologias mais maduras que permitam alta rentabilidade na produção energética e sem qualquer subsídio", completou em relação a esta matéria.

A entrevista teve vários momentos de animada discussão entre o jornalista José Gomes Ferreira e António Costa, o primeiro dos quais quando o líder do executivo recordou que o membro da direção de informação da SIC, em maio do ano passado, acreditava que a economia portuguesa ia ‘gripar’ e o desemprego aumentar em consequência da política de devolução de rendimentos.

Já na parte final da entrevista, José Gomes Ferreira sugeriu que o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, foi irónico quando comparou o seu homólogo português, Mário Centeno, a Cristiano Ronaldo.

Costa respondeu imediatamente ao jornalista: "Admito que possa ser do partido do Messi, eu ainda sou do partido do Ronaldo".

"Sabe, é que às vezes parece que só gosta de ouvir o senhor Schauble quando diz mal de nós", comentou ainda o primeiro-ministro, dirigindo-se a José Gomes Ferreira.