O secretário-geral do PS acusou Passos Coelho de ser uma ameaça ao diminuir os custos do trabalho quando o que o país precisa é de reformas para travar a emigração de jovens qualificados.

“O primeiro-ministro disse há alguns meses que a grande frustração que levava desta legislatura era não ter conseguido reduzir os custos do trabalho”, afirmou António Costa, o que considera ser “uma ameaça sobre o que ele quereria fazer se tivesse oportunidade de continuar”.

Mas, para o secretário-geral do PS, o que Pedro Passos Coelho tem de saber “é que as reformas que são precisas no mercado de trabalho não são para baixar os custos, para precarizar o trabalho e facilitar o despedimento”.

São, acrescentou, reformas “para não continuarmos a perder esta geração mais qualificada que está a ir trabalhar para fora, porque lá fora encontra emprego que não encontra com dignidade e qualidade em Portugal”.

António Costa falava durante o comício da rentrée política que marcou o encerramento do YES Summer Camp, um acampamento de jovens socialistas europeus a cuja organização a JS se candidatou e que reuniu em Santa Cruz, no concelho de Torres Vedras, cerca de mil jovens.

No ex-karting de Santa Cruz, que hoje encheu de militantes para assistir comício da rentrée política do PS, António Costa virou o discurso para os jovens e o futuro “de Portugal e dos portugueses”, para o qual defendeu como essencial restabelecer “a confiança” que dá lema à sua campanha.
 

“Os portugueses sofreram quatro anos muito duros e o que todos anseiam é uma palavra de esperança e confiança no futuro do país”, o que, afirmou, só se consegue “com as políticas certas”.


E essas são, para o candidato a primeiro-ministro, “investir no conhecimento e inovação, combater a precariedade, ter políticas ativas de emprego centradas na criação de emprego ativo, e assegurar um contrato de geração que assegure a solidariedade entre as diferentes gerações”.

No discurso em que elencou os três eixos fundamentais do seu programa, Costa considerou fundamental “repor a edução como prioridade da ação política”, alargando a escolaridade obrigatória “até aos 12 anos, enriquecendo os currículos com “o ensino artístico, fundamental para a cultura” e valorizando o ensino superior.
 

Um “verdadeiro contrato de gerações” que vença “esta situação absurda de cada vez prolongarmos mais a idade de passagem à reforma e cada vez termos menos emprego para os jovens que querem aceder ao mercado de trabalho”.


A proposta do PS é que que os mais velhos possam reformar-se a tempo parcial “trabalhando meio tempo e beneficiando da segurança social no outro meio tempo”, tendo como contrapartida “a criação de um emprego a tempo inteiro para um jovem”.

Com o PS, prometeu António Costa, não se gastarão recursos públicos para “financiar estágios” que deviam ser ocupados “por empregos efetivos, já que “os poucos recursos que existem serão mobilizados para criar postos de trabalho efetivos”, em particular para “os jovens licenciados”.
 

“Temos vindo a aceitar com excessiva ligeireza que sejam qualificados como emprego situações que são verdadeiras ofensas à dignidade do trabalhador”, disse, deixando às novas gerações que a mensagem de que “precisamos deles mesmo a sério, não para estarem a trabalhar em call centers, mas para estarem a modernizar as empresas portuguesas”.