O primeiro-ministro, António Costa, disse esta quarta-feira durante o debate quinzenal, que a solução para o país “não passa por continuar a empobrecer”.

Durante a apresentação do Plano Nacional de Reformas (PNR), António Costa garantiu que, “a solução não passa por continuar a empobrecer. É a qualificação que falta, não é o empobrecimento”, disse António Costa, depois de o ex primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, o ter acusado de não ter apresentado nenhum plano. “O que nos trouxe não foram reformas, foram intenções”, acusou Passos.

"Estamos disponíveis e estaremos para falar sobre as reformas", acrescentou. "ainda não vi reforma nenhuma", ironizou.

O líder da oposição questionou ainda Costa sobre a avaliação que o Governo vai fazer acerca das reformas e quando é que esse impacto vai ser conhecido.

“Quais são as medidas que está a tomar para fazer a avaliação dessas reformas e quando é que vai apresentar ao país o impacto das reformas estruturais que foram realizadas? Quais são os instrumentos que vai usar?", questionou.

Passos relembra ainda Costa sobre as reformas que o seu governo fez e que o Executivo do PS pensa em reverter, mas a ideia de evocar o passado não agradou a António Costa.

"Nestes debates consigo sinto-me sempre um bocado convencido que o presente é só o ponto de encontro entre o passado e o futuro porque sempre que vimos aqui falar de futuro, o senhor fala-nos de passado. Quando nós lhe falamos das reformas que o país necessita (…) o senhor deputado em vez de falar daquilo que o país precisa comporta-se aqui como guardião das reformas que fez enquanto foi governo".

"Para mim seria uma perda de tempo voltar ao passado".

Tema será alvo de debate "intenso"

Na sua intervenção inicial, o primeiro-ministro afirmou que o Governo estará envolvido num "intenso" debate parlamentar em torno do PNR, alegando que tem de ser um programa de "toda a sociedade" para resolver bloqueios estruturais do país.

"Este Programa Nacional de Reformas não deve ser um programa do Governo, deve ser um programa de toda a sociedade. É assim que o queremos discutir com os parceiros sociais, com as universidades, com todos os agentes económicos, sociais e culturais, com as diferentes forças políticas. E é por isso que o submeteremos, nas próximas semanas, a um intenso debate parlamentar, estando já agendados vários debates com a presença dos diferentes ministros nesta Assembleia da República",  disse Costa.

Na apresentação do documento perante a Assembleia da República, António Costa frisou que o Programa Nacional de Reformas se destina "a resolver os bloqueios estruturais que há 15 anos mantêm a economia estagnada".

"Um programa que nos permita retomar a convergência com a União Europeia, quebrando este prolongado ciclo em que a recessão alternou com o crescimento insuficiente", disse.

O documento estará em discussão pública em abril, antes de ser entregue em Bruxelas.