O primeiro-ministro, António Costa, apresentou esta terça-feira o Programa Nacional de Reformas 2016-2020, que inclui, na sua grande maioria, objetivos que já eram conhecidos anteriormente, do Programa de Governo ou do Orçamento de Estado, por exemplo.

O Programa Nacional de Reformas (PNR), a aplicar até 2020, envolve um investimento de cerca de 12.500 milhões de euros (entre 10.500 milhões de euros do Portugal 2020 e 2.000 milhões do Plano Juncker).

O programa, que será objeto de discussão pública, envolvendo partidos e a concertação social, nas próximas semanas, terá de ser entregue pelo Governo em Bruxelas até ao final de abril, articulado com o documento congénere da vertente orçamental, o Programa de Estabilidade.

Apresentado esta terça-feira em Lisboa, o documento reforça principalmente objetivos previstos no Programa de Governo (discutido no final de novembro) e mesmo no Orçamento do Estado para este ano (OE2016), promulgado pelo Presidente da República na segunda-feira.

Entre as novidades estão as metas de capitalização de 9.300 empresas, de reabilitação urbana de 4.000 edifícios, a redução em 20% do número de pendências na ação executiva cível e a criação de 8.000 camas nos cuidados continuados e 4.800 nos cuidados continuados prestados ao domicílio até 2020.

Eis as principais medidas reforçadas no Programa Nacional de Reformas:

 

Qualificar os portugueses

Na educação, o Governo reforça, com o PNR, os objetivos de combater o insucesso escolar no ensino básico (até ao 9.º ano de escolaridade) de 10% para 5%, conforme previsto nas Grandes Opções do Plano.

Além disso, o executivo mantém também a intenção de reduzir para 10% a taxa de abandono escolar precoce, conforme previsto no programa europeu Horizonte 2020, e universalizar a frequência do pré-escolar aos três anos até 2019, conforme previsto no Programa de Governo.

A modernização do ensino, com a produção e disseminação de conteúdo digitais, e o aumento da participação de adultos em ações de aprendizagem ao longo da vida também já estavam previstos no Programa de Governo.

 

Promover a Inovação

A inovação é um dos seis eixos prioritários do PNR, mas tem grande destaque também no Programa de Governo, que salienta também a necessidade do estímulo ao empreendedorismo e à criação de emprego. No PNR, o Governo pretende apoiar 1.500 novas empresas pelas medidas de apoio ao empreendedorismo.

A digitalização da economia, com o “incentivo das empresas a integrarem a revolução digital assente na informatização e conectividade das ideias, dos processos e produtos” é um ‘desígnio’ que também já tinha sido salientado pelo Ministro da Economia, quando desafiou as empresas portugueses a aproveitarem a nova revolução industrial.

 

Valorização do Território

A reabilitação urbana já era prioridade para o Governo, ainda antes de ser governo. No programa eleitoral, o PS já pretendia dar prioridade à criação de programas de forte incentivo à reabilitação urbana e à recuperação do património histórico português. Uma prioridade que foi reiterada no Programa de Governo e no OE2016.

Já este mês, António Costa anunciou que o ministro do Ambiente vai apresentar, “na segunda semana de abril, um grande programa nacional centrado na reabilitação urbana”.

Além disso, o investimento em 1.193 quilómetros de ferrovia inscrito no PNR já estava também previsto no Plano de Investimentos Ferroviários 2016-2020, apresentado pelo Governo em fevereiro.

 

Modernização do Estado

A simplificação da legislação e da administração pública, através da retoma do Simplex, é uma das ‘bandeiras’ do executivo socialista, que a inscreveu no Programa de Governo.

 

Capitalização de empresas

A criação de um fundo de capitalização de empresas financiado por fundos europeus e a diversificação das fontes de financiamento surgem enunciadas no Programa de Governo.

No entanto, no PNR o executivo reforça essas metas (serão 9.300 as empresas a capitalizar até 2020) e introduz algumas medidas, como a harmonização de procedimentos das decisões tomadas entre os credores públicos no âmbito dos processos de reestruturação, principalmente entre a Autoridade Tributária e a Segurança Social.

 

Reforço a coesão social e igualdade social

Elevar os rendimentos dos portugueses, em particular das populações mais abrangidas pela pobreza e exclusão social, bem como restabelecer os mínimos sociais são objetivos que já estavam previstos no Programa de Governo.

No documento do PNR distribuído à comunicação social, o Governo inscreve como meta abranger pelo Complemento Social de Idosos 200.000 idosos e atribuir abono de família a 1,1 milhões de crianças e jovens.

Com o OE2016, a meta relativa ao abono de família já está assegurada e, no que diz respeito ao CSI, incluindo uma proposta do Bloco de Esquerda sobre este apoio que foi aprovada, o objetivo até 2020 fica perto, uma vez que serão abrangidos 170.000 idosos.

Na saúde, o PNR mantém como desafio a manutenção do nível de acesso aos cuidados de saúde, recordando a redução do valor global das taxas moderadoras, já inscrita no OE2016. São ainda apontados como objetivos a redução dos encargos para as famílias e a garantia de maior qualidade do Serviço Nacional de Saúde, tal como previsto no Programa do Governo.