O secretário de Estado dos Transportes rejeita que exista qualquer «preconceito ideológico» do Governo contra entidades públicas. Sérgio Monteiro respondeu assim ao presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, quanto à possibilidade de entrega gestão do Metropolitano e da Carris a privados.

O autarca da capital tinha dito, na terça-feira, em reunião de assembleia municipal, que se o Governo entregar o Metropolitano de Lisboa e a Carris aos privados «é porque é contra os municípios», assegurando que aceita a gestão nas mesmas condições dadas às empresas. E acrescentou que, no caso daquelas duas entidades, há um «preconceito ideológico [do Governo] contra entidades públicas».

Confrontado com as declarações do autarca, o secretário de Estado disse que o «o único preconceito é de valor». «Não há certamente nenhum preconceito ideológico. A nossa convicção é que deve ser atribuída a concessão àquele que apresentar a melhor proposta numa base comparável», disse, esta quarta-feira, o governante, antes da sessão de apresentação do Estudo «Revisão do Modelo Contratual e Mecanismos de Regulação do Setor Portuário», em Lisboa.

Sérgio Monteiro sublinhou ainda que para tomar a decisão sobre quem fica com a concessão dos transportes, quer seja em Lisboa ou no Porto, é necessário ter a melhor proposta.

«Nós compreendemos que os presidentes de câmara das autarquias tenham preocupações relativamente aos seus municípios. Mas a preocupação do Estado é com 10 milhões de portugueses, nomeadamente os contribuintes, que durante muitos anos pagaram muitas dezenas de milhões de euros de impostos para que estas empresas pudessem sobreviver», acrescentou.

Sobre o futuro dos transportes, Sérgio Monteiro assegurou que o serviço será o mesmo e as tarifas serão ajustadas à inflação. «Todos os utilizadores dos transportes, quer em Lisboa quer no Porto, podem estar tranquilos quanto a isso: não vai haver aumentos extraordinários de bilhete porque essa matéria já está hoje regulada, e é a inflação que determina a variação do custo dos bilhetes».

O presidente da Câmara de Lisboa disse que «só o município oferece a sinergia da via pública», na gestão do estacionamento e na gestão da publicidade exterior, o que «nenhum privado» possui. António Costa assegurou que «não há nenhum encargo suplementar àquele que [o Governo] se propõe a ter com a concessão a privados» e que a gestão municipal das transportadoras seria feita «nas mesmas condições».