António Costa já pediu várias vezes a maioria absoluta, mas hoje, por duas vezes, admitiu o cenário de vencer sem essa apoteose. No comício ao ar livre em Santa Maria da Feira, prometeu estar à altura para evitar o "caos" da ingovernabilidade. E encontrar "soluções". 

"É necessário que ganhemos com maioria absoluta, não sacrificaremos o diálogo social nem político pela maioria absoluta. Se por alguma razão não tivermos, não deixaremos o país no caos, porque fomos, somos e sempre seremos referencial de estabilidade".


O secretário-geral do PS discursava mais ou menos ao mesmo tempo que Passos Coelho em Viseu. O líder da coligação PAF também advertiu para  o que aí vem mas, claro, se coligação não tiver maioria: que com a união da esquerda no Parlamento “uns podem ganhar e outros é que governam”. 

Hoje mesmo, o Presidente da República disse que sabe  "muito bem aquilo que irá fazer" no pós-eleições, não revelando "nem um centímetro" do que está na sua cabeça. 

A questão da governabilidade é sempre fulcral, mas nestas eleições ainda mais, tendo em conta que o Cavaco Silva não pode convocar eleições a seis meses das Presidenciais, que se realizam em janeiro. Caso não haja maiorias absolutas, espera-se que o diálogo político dê frutos para a governabilidade.  

O candidato socialista a primeiro-ministro reforçou que está disponível apra "encontrar soluções para a governabilidade do país". 

Bastante rouco a discursar, Costa multiplicou as condenações à coligação Portugal à Frente. E repetiu que o discurso do "medo" de Passos e Portas vira-se contra eles próprios. "Não há medo em Portugal. Só tem medo a coligação de direita, porque tem o medo da derrota que vai ter no próximo domingo". 

Ainda se engana, a seguir: "É por isso que é preciso que quarta... que domingo...". Corrigiu e prosseguiu, dizendo que o Governo merece ter como "castigo" ser derrotado. 

"Eles agora falam muito de estabilidade, mas não se preocuparam de estabilidade. Têm o terreno a fugir-lhes dos pés, da estabilidadezinha deles é que eles têm medo".

Costa também voltou a vincar que tem uma "equipa renovada", depois de já hoje se ter  demarcado da governação de José Sócrates. E repetiu o habitual apelo ao voto, desta vez com um erro de português "Vão ir às urnas derrotar a coligação de direita". 


"Banqueiros trapaceiros fizeram exatamente o mesmo que Maria Luís"


Antes do candidato, discursou o cabeça de lista por Aveiro, Pedro Nuno Santos, que assumiu que a "batalha" destas eleições é "difícil", mas que os socialistas já sabiam. A dificuldade, insinuou, vem não só da estratatégia de "invenção" da coligação, mas também da comunicação social. 

"Uma das mais graves notícias dos últimos meses, para não dizer anos, e já não se fala da notícia de ontem, que nos dizia que a ministra das Finanças tinha encomendado seja lá de que foram rever de forma mais otimista as perdas potenciais" da Parvalorem, a gestora pública dos ativos tóxicos do ex-BPN. O deputado socialista, , recuperou o tema a ergueu a voz, para dizer que "é a campanha que abafa estas coisas". 

"Aquilo que a ministra fez é o que os banqueiros pediram a alguns funcionários. Alguns banqueiros trapaceiros fizeram exatamente o mesmo que Maria Luís Albuquerque pediu à Parvalorem", atirou, aludindo àquele caso. Ele que, recorde-se, acompanhou a comissão de inquérito ao BES/GES. 

O Largo do Tribunal en Santa Maria da Feira estava repleto de gente - e o cheiro a porco no espeto grátis certamente muitos atraiu -, depois de a caravana socialista ter passado por Abrantes, para um almoço-comício, e por Coimbra, onde foi recebido calorosamente. A reportagem da TVI24 encontrou cesperança na vitória, mas com algumas hesitações e descuidos