O breve encontro do primeiro-ministro português com o presidente norte-americano na cimeira da NATO concentrou-se nos Açores, quer por causa dos planos futuros para a base das Lajes, quer pela origem do fotógrafo oficial de Barack Obama.

Em conferência de imprensa no último dia da reunião a decorrer em Varsóvia, António Costa relatou ter entregado na sexta-feira ao presidente dos Estados Unidos o “resumo do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido” entre o ministro da Ciência e Tecnologia e secretário de Estado da Energia dos EUA para o “aproveitamento dos Açores como uma plataforma muito importante” na investigação.

Em causa, segundo o governante, estão as áreas da climatologia, alterações climáticas, vulcanologia, oceanografia, ou seja “uma boa oportunidade para a reconversão que está em curso da utilização da base das Lajes e encontrar uma nova vocação para aquelas infraestruturas”.

E tenho a certeza que o interesse pessoal do presidente Obama sobre a temática das alterações climáticas, da importância da inovação e da investigação e da ciência pode dar um impulso muito grande à concretização deste projeto, assumiu.

O primeiro-ministro informou ainda que neste “encontro, obviamente, breve”, o tema Açores foi também citado por Obama, que relembrou as origens no arquipélago do seu fotógrafo oficial.

Em 27 de junho, o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, comentava que os Açores oferecem "oportunidades únicas" para a instalação de uma base espacial, que está a ser equacionada para o aeroporto internacional das Lajes, na ilha Terceira.

Os desafios para melhor perceber quer as mudanças climáticas quer as suas interações com os oceanos passam por lançar constelações de satélites e, obviamente, quer as Lajes (na ilha Terceira) quer Santa Maria oferecem oportunidades únicas para se instalarem no futuro novas gerações de lançadores satélites, que podem dar dados até agora inexistentes quer para as empresas quer para a investigação de interesse público e para os investigadores", afirmou.

Depois de Nova Iorque e dos Açores, será realizado um terceiro ‘workshop’ em Bruxelas, em 19 de setembro, para abordar diretamente a Comissão Europeia sobre a possibilidade de instalar nos Açores um centro de investigação científica internacional.

Neste contexto de encontros bilaterais com os restantes líderes dos 28 países da NATO, Costa notou que a promoção da candidatura de António Guterres a secretário-geral da ONU é um “dos objetivos da política externa portuguesa”.

E não é possível falar designadamente da participação de Portugal no teatro dos Balcãs, no teatro dos Bálticos (…), sem lembrar-nos que começaram precisamente com o engenheiro António Guterres há 20 anos”.

O primeiro-ministro rematou que esta é uma “candidatura que vai fazendo o seu bom caminho”.