No dia em que foi indigitado primeiro-ministro, António Costa garantiu que vai "procurar desempenhar a missão" que o Presidente da República lhe encarregou. À reação da direita, que recusou dar "apoio político" ao Governo PS apoiado por BE, PCP e PEV, o líder socialista respondeu com uma curta e direta frase:

"Eu também não pedi a mão ao PSD"


Os sociais-democratas defendem que o Governo "democraticamente escolhido pelos portugueses" foi o Executivo de Pedro Passos Coelho, derrubado no parlamento e que a solução à esquerda é "frágil e inconsistente", nas palavras do vice-presidente do PSD, Marco António Costa.

Já depois das declarações do líder do PS, na TVI, Marco António Costa disse que o PSD está "tranquilo" por não ser necessária a ajuda dos sociais-democratas.

O primeiro-ministro indigitado nada divulgou, oficialmente, aos jornalistas, sobre a composição do seu Executivo, tendo apenas confirmado que a lista que propõe foi enviada para Belém que, de resto, já confirmou a receção do documento.

"O senhor Presidente da República tem neste momento a lista e comunicará o que tiver de comunicar ao país no momento que entender", disse aos jornalistas, à saída do largo do Rato. 

De qualquer modo, os nomes dos ministros do futuro Governo PS já são conhecidos oficiosamente. 

Às perguntas insistentes sobre o que se segue, nomeadamente o aval a essa proposta de Governo e à data da tomada de posse, o líder do PS respondeu sempre da mesma maneira: "No momento oportuno, o Presidente dará a notícia pública que entender dar sobre essa matéria". "No momento em que entender, o senhor Presidente comunicará", reforçou. 

Depois de um impasse político de 51 dias, e da queda do Governo de Passos Coelho no Parlamento, no passado dia 10 de novembro, eis que Portugal tem um novo primeiro-ministro indigitado.

O seu Executivo só entrará em funções depois da tomada de posse, ainda sem data definida. Mas é possível que ocorra ainda esta semana.

Das instâncias europeias, chegaram já algumas reações: o Eurogrupo diz que conta com as garantias dadas por António Costa a Cavaco Silva, que suscitou seis dúvidas quanto à estabilidade de um Governo PS apoiado pela esquerda, antes de indigitar o líder do PS como primeiro-ministro; o Conselho Europeu afirmou que “é crucial que Portugal garanta disciplina nas finanças públicas e que continue o programa de reformas económicas", acreditando que Costa estará à altura.