A porta-voz do Bloco de Esquerda disse hoje que o "argumento demográfico" sobre professores sem trabalho dá uma "similitude" - que o BE dispensaria - às palavras de António Costa no domingo com as de Pedro Passos Coelho em 2011.

"Manter-se o uso do argumento demográfico faz uma similitude que preferíamos que não acontecesse e espero bem que o senhor primeiro-ministro vá consultar os números sobre a redução de número de alunos e professores", frisou Catarina Martins, que falava aos jornalistas em Lisboa à margem de uma audição pública sobre assédio no local de trabalho.

Para a bloquista, o "maior erro" no que se refere aos docentes sem trabalho e às palavras sobre os mesmos é "tentar juntar o problema demográfico ao problema do crescente desemprego de professores".

"Esse é um argumento que não colhe com a realidade: nos últimos anos o número de alunos em Portugal desceu 6% e o número de professores em Portugal desceu 20%. Por isso, o desemprego dos professores não é uma questão demográfica mas é sim resultado de uma escolha política", adverte a porta-voz do BE.

O primeiro-ministro, António Costa, rejeitou já esta terça-feira que tenha apelado à emigração nas declarações sobre oportunidades de emprego para professores em França, dizendo que "a estrada da Beira e a beira da estrada não são a mesma coisa"

Em causa estão as declarações de António Costa, no domingo, quando, no balanço das celebrações do Dia de Portugal, em Paris, destacou o compromisso do Presidente francês, François Hollande, sobre o ensino do português, considerando que é uma oportunidade para muitos professores.

"A estrada da Beira e a beira da estrada não são a mesma coisa, pois não? Pois... Eu também não apelei à emigração!", escreveu o primeiro-ministro na página oficial do Twitter.

Estas declarações geraram críticas à direita, que compararam esta tomada de posição de António Costa às palavras do ex-primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, quando em dezembro de 2011, numa entrevista ao Correio da Manhã, sugeriu a emigração para países de língua portuguesa, como Angola ou Brasil, como uma opção para aos professores que não conseguissem colocação em Portugal.