O secretário-geral do Partido Socialista defendeu, este sábado, que a última coisa que o PS poderia fazer era viabilizar um Governo minoritário de direita, pela primeira vez na história da democracia portuguesa, e não se esforçar por criar uma alternativa. António Costa argumentou que encontrou no BE, no PCP e PEV um "diálogo sério e responsável".

 "Aquilo que eu quero dizer com toda a convicção é que devemos dar esse passo, porque é tempo de mudar o paradigma do nosso sistema partidário. (...) É hora de pôr termo ao que resta do PREC e do muro de Berlim e que é absolutamente anacrónico no Portugal de 2015" 


O secretário-geral socialista falava no discurso de abertura da reunião da Comissão Nacional do PS e admitiu que em causa está um "enorme desafio": "É verdade". Mas defendeu esse caminho.

A comissão apreciará a proposta de programa de Governo socialista com o apoio parlamentar daquelas forças políticas. Costa afiançou que o documento acordado é "coerente, com medidas consistentes" e que " respeitam os compromissos internacionais de Portugal", designadamente no quadro da zona euro.

Ainda assim, confirmou, haverá três acordos e não apenas um: "A expressão não será num documento único". Apesar de não haver entendimento em todas as matérias, Costa assegurou que há garantias para um governo sustentável e duradouro.  

Na intervenção, aberta aos jornalistas, António Costa defendeu que esta seria a primeira vez que um Governo minoritário PSD/CDS entraria em funções com "o apoio expresso do PS".

António Costa sustentou em seguida que, "depois daquilo que os portugueses disseram nas urnas, a última coisa que o PS poderia fazer era viabilizar um Executivo de direita, sem que se esforçasse por criar uma alternativa".

A Comissão Política dos socialistas, no domingo, avaliará as condições políticas de estabilidade ainda em negociação com PCP, Bloco e Os Verdes para a existência de um Governo de legislatura, adiantou ainda.