A porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, afirmou, esta segunda-feira, que estão reunidas condições para um entendimento entre o BE e o Partido Socialista tendo em vista um programa de Governo.

À saída de um encontro entre os dois partidos, Catarina Martins disse que o Governo da coligação PSD/CDS terminou hoje, já que os partidos não vão ter o apoio do parlamento para formar Executivo, e que é tempo de avançar para uma alternativa.

"Fica hoje claro que o Governo de Passos Coelho e Paulo Portas acabou. Temos hoje as condições para termos um Governo e um orçamento dentro da Constituição da República portuguesa depois de quatro anos de uma direita que não soube nunca respeitar a lei fundamental do país".


Questionada sobre o que foi falado na reunião, a porta-voz do Bloco de Esquerda disse que foi discutido um programa de Governo e pontos comuns, que podem garantir um entendimento para que o PS forme Governo com o apoio do BE.

Catarina Martins não confirmou, nem rejeitou, que o BE possa vir a integrar este eventual Governo PS.

O partido "assumirá todas as responsabilidades que tiver de assumir".


A porta-voz do Bloco de Esquerda garantiu que foram encontradas condições de consenso "básico", mas que há mais temas a trabalhar, pelo que ficaram agendadas novas reuniões entre os dois partidos durante esta semana.

Também o secretário-geral do Partido Socialista, António Costa, considerou positiva a reunião com o Bloco de Esquerda, destacando os vários "entendimentos" e "pontos de convergência" entre os dois partidos, tendo em vista o futuro do país.

" Tivemos com o Bloco de Esquerda uma reunião muito interessante, onde foi possível identificar de modo positivo um conjunto de matérias passíveis de convergência entre os dois partidos", disse o líder socialista à saída do encontro.

António Costa salientou que existem divergências "públicas" entre os dois partidos, porém disse que a reunião assentou nos pontos comuns, tendo em vista uma solução que garanta estabilidade ao país, como o interesse em recuperar "os rendimentos dos portugueses".

"Quanto às divergências, elas são públicas e não faz sentido debatê-las. O que faz sentido é trabalhar no novo quadro parlamentar para que o país possa ter um Governo estável e que corresponda à vontade popular no sentido de que exista uma alteração de política no respeito escrupuloso pelo quadro constitucional. (...) Há um objetivo comum: recuperar os rendimentos dos portugueses. Há formas diversas de procurar alcançar este objetivo. No quadro das reuniões que se vão seguir, verificou-se que há margem para prosseguir, aproximar posições e reduzir divergências"


Em conferência de imprensa, António Costa disse, ainda, que vai adiar a Comissão Política do PS prevista para amanhã, devido ao atraso da entrega de propostas da coligação PSD/CDS.

As propostas só devem ser entregues hoje durante a tarde, o que inviabiliza, disse Costa, a Comissão Política, que ia analisar os resultados das várias reuniões do líder socialista com os vários partidos. 

Algumas horas depois,  antes de se dirigir para uma audiência com o Presidente da República, o secretário-geral do PS também classificou o encontro com dirigentes do Pessoas-Animais-Natureza (PAN) como " muito interessante".