O secretário-geral do PS, António Costa, defendeu esta terça-feira que é um erro um governo definir uma estratégia nacional que ignore as negociações a 28 na União Europeia, ficando bloqueado numa única solução.

Numa referência à Grécia, António Costa afirmou que «numa união a 28 não é possível prometer um resultado que depende de negociações com várias instituições, múltiplos governos, de orientações diversas».

«Como se tem visto nas últimas semanas, é um erro definir uma estratégia nacional que ignore a incerteza negocial e se bloquei numa única solução», afirmou o líder socialista e presidente da Câmara de Lisboa, numa conferência promovida pela revista britânica «The Economist», que decorre esta terça-feira em Cascais.

O líder socialista reiterou que «o que é essencial é identificar corretamente os problemas, assumir a determinação de os enfrentar e ter a capacidade necessária para construir soluções viáveis trabalhando as várias variáveis possíveis».

Costa sublinhou, contudo, que «a frente interna tem de ser acompanhada de uma exigente agenda europeia», defendendo que «o programa de ‘Quantitative Easing' do Banco Central Europeu (BCE), assim como a iniciativa Juncker para o investimento ou a leitura inteligente e flexível do PEC (Pacto de Estabilidade e Crescimento), são peças essenciais, que importa valorizar, mesmo que ainda incertas e insuficientes, porque traduzem uma mudança de sentido, no sentido certo».

«Mudança que enfrenta fortes resistências, a começar em Portugal, ignorando os sinais de risco para o projeto europeu que representam a emergência dos extremismos em diferentes Estados-membros.»


Segundo o secretário-geral do PS, para «evitar um cenário de prolongada estagnação a Europa necessita de mobilizar mais armas, todas as suas armas».

«No processo de coordenação de política económica o reforço do contributo daqueles que estão em condições para aumentar a procura, sejam Estados-membros, sejam privados de estados-membros com excedente, tem de ser colocado como parte da solução.»


António Costa sublinhou que «não é realista admitir - e os últimos anos são bem a prova disso - que desequilíbrios da magnitude dos atuais no seio de uma união monetária relativamente fechada possam ser resolvidos unicamente do lado dos países deficitários».

Confrontado com o que faria nos primeiros 100 dias do seu governo, no período reservado à resposta de questões feitas pelo jornalista do «The Economist» que moderou o painel, Costa salientou a sua «Agenda para a Década» ao defender a necessidade de o «trabalho de fundo» prevalecer sobre a «ansiedade».

«Eu percebo a ansiedade de quem quer resolver tudo em 100 dias, mas de uma vez por todas temos que ter a capacidade e a resistência de resistir à ansiedade e fazer o que deve ser feito.»


Para o líder socialista, há também que romper com as tentações das últimas legislaturas «de achar que com um choque fiscal, com um choque tecnológico ou com um choque de empobrecimento se resolve os problemas estruturais da nossa economia».

Ainda na sua intervenção, o secretário-geral do PS defendeu que «Portugal tem de alterar a sua política europeia, reorientando-a no apoio construtivo à mudança iniciada com o mandato conferido pelo Parlamento Europeu à Comissão Juncker, não toldando por radicalismo ideológico a correta leitura dos interesses da economia nacional, da urgência para as empresas e o emprego, da prioridade ao investimento e ao crescimento inteligente, sustentável e inclusivo».