O Primeiro-ministro, António Costa, realiza na segunda-feira uma visita oficial de um dia à Grécia a convite do seu homólogo grego, Alexis Tsipras, tendo como tema central a procura de soluções para o fenómeno dos refugiados.

Além de reuniões de caráter institucional com Alexis Tsipras e com o presidente da República da Grécia, Prokopis Pavlopoulos, António Costa terá no programa da sua visita uma deslocação a um campo de refugiados instalado na zona de Atenas.

Fonte do executivo português disse à agência Lusa que o convite foi formulado a António Costa pelo primeiro-ministro grego no início de março, durante um encontro promovido pelo presidente francês, François Hollande, que juntou em Paris líderes e chefes de Governo da esquerda política dos Estados-membros da União Europeia.

Durante as 24 horas que permanecerá em Atenas, António Costa deverá abordar com os chefes de Governo e de Estado gregos questões bilaterais e da agenda europeia, tendo como assunto central a questão dos refugiados, sendo a Grécia o país da União Europeia que mais diretamente tem sido atingido por este fenómeno.

Apesar de Portugal estar geograficamente distante das principais rotas dos refugiados, o primeiro-ministro, desde o início do seu mandato, colocou este tema no topo das suas prioridades de ação ao nível da política europeia.

Em fevereiro, durante a sua visita oficial à Alemanha, disponibilizou-se junto da chanceler alemã, Angela Merkel, no apoio à integração de refugiados.

Nesse mesmo mês, o primeiro-ministro português enviou também cartas a homólogos de alguns dos Estados-membros mais pressionados pelos fluxos migratórios (Grécia, Itália, Áustria e Suécia) disponibilizando-se para receber mais cerca de 5.800 refugiados, além da quota comunitária.

Deste modo, Portugal poderá vir a acolher no total um número próximo de dez mil refugiados.

A proposta então apresentada por António Costa apontou para a disponibilidade de Portugal em acolher cerca de dois mil estudantes universitários, 800 no ensino vocacional e entre 2.500 e 3.000 refugiados qualificados para trabalhar nas áreas agrícola e florestal.

Segundo António Costa, a disponibilidade manifestada por Portugal para partilhar este esforço na recolocação de refugiados também a nível bilateral visa "dar o exemplo da atitude que todos os Estados-membros devem ter".

Ainda de acordo com o líder do executivo, Portugal deve ter, nesta e noutras matérias, "um papel pró-ativo de um país que ajuda a encontrar soluções na Europa", até porque, na sua perspetiva, a crise das migrações é "o maior risco para a unidade futura europeia".

Já em março, em Bruxelas, António Costa considerou que o acordo fechado entre União Europeia e a Turquia para a gestão dos fluxos migratórios como "muito importante", mas ressalvou que "não deve ser visto com a ilusão de que o problema está resolvido".

O primeiro-ministro referiu então que esse acordo "assegura proteção internacional a quem dela carece", em particular vítimas da guerra na Síria, "permite responder à situação de crise humanitária que se vive na Grécia", garantindo-lhe solidariedade por parte de todos os Estados-membros, e permite ainda controlar a rota dos Balcãs.

Mas, obviamente, este acordo não resolve o fundo do problema, que é a manutenção da situação de guerra na Síria, situações de perseguição ou conflito armado noutros países", advertiu.