O secretário-geral socialista, António Costa, celebra este domingo, no Porto, os 42 anos da fundação do PS, numa festa/comício em que estarão presentes os antigos presidentes da República Mário Soares e Jorge Sampaio.

Além de Mário Soares e Jorge Sampaio, no comício socialista no pavilhão Rosa Mota, estarão igualmente o líder parlamentar do PS, Ferro Rodrigues, o presidente deste partido, Carlos César, e o presidente honorário, Almeida Santos.

No Porto, o PS pretende conjugar a celebração do aniversário da sua fundação em Bad Munsterefeil, na República Federal Alemã, em 1973, com outras duas comemorações: os 41 anos do 25 de Abril de 1974 e os 40 anos das eleições para a Assembleia Constituinte - um ato eleitoral que os socialistas venceram com 37% dos votos.

«Vamos celebrar o PS como partido pilar da democracia portuguesa», declarou à agência Lusa Luís Patrão, membro do Secretariado Nacional.

Para assinalar mais um aniversário da fundação do PS, a direção dos socialistas colocou esta manhã à disposição dos seus simpatizantes e militantes que pretendam descolocar-se ao Porto um comboio especial, denominado «Comboio da Democracia».

António Costa viajou nesse comboio, com capacidade para cerca de 900 passageiros e com partida da Gare do Oriente, em Lisboa, tendo paragens previstas em Vila Franca de Xira, Azambuja, Santarém, Pombal, Coimbra e Aveiro, com chegada à estação de São Bento, no Porto, por volta das 13:00 horas.

O secretário-geral do PS, António Costa, prometeu este domingo deixar resolvida para o seu sucessor no cargo a questão do passivo financeiro do partido, advertindo que não tem por hábito queixar-se das heranças que recebe.

António Costa falava aos jornalistas na Gare do Oriente, em Lisboa, antes de partir.

Questionado sobre a atual situação financeira do PS, que terá um passivo na ordem dos 11 milhões de euros - o que já levou este partido a fazer junto da banca uma renegociação do pagamento de juros -, António Costa respondeu:

«Não tenho por hábito queixar-me das heranças que recebo, mas antes de resolver os problemas que tenho para fazer e entregar as casas arrumadas aos meus sucessores».


António Costa defendeu que seguiu essa mesma linha de atitude quando desempenhou no passado funções de ministro da Justiça ou de Estado e da Administração Interna, ou, ainda, quando foi presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

«É também isso que farei no PS. Não me queixo da herança [financeira proveniente da direção liderada por António José Seguro], resolvo problemas e quando houver um sucessor terá a sua casa arrumada», disse.


O secretário-geral do PS afirmou  ainda que um Governo socialista terá o realismo de conter os sonhos na medida das possibilidades do país, advertindo que seria imperdoável se o seu partido prometesse aquilo que não podia cumprir.

António Costa reagiu, depois de questionado se está também a visar José Sócrates quando critica os primeiros-ministros que prometeram em campanhas eleitorais não aumentar impostos, mas depois subiram a carga fiscal logo que chegaram ao Governo.

«Temos de ter os pés assentes na terra. Temos de ter a ambição de realizar os sonhos, mas também o realismo de conter os sonhos na medida das possibilidades», respondeu o secretário-geral do PS.


Segundo António Costa, «seria imperdoável» se o PS prometesse aquilo não pode cumprir.

«É essa a garantia que podemos dar aos portugueses. Não faremos como fez o atual primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho», reporta a Lusa.

«Ao fim de quatro anos, o primeiro-ministro coloca mais problemas: Mais cortes de salários, mais sobretaxa de IRS e mais cortes nas pensões. Isto não é solução, o que significa que o Governo está esgotado e que é necessário mudar», disse António Costa. 

No pavilhão Rosa Mota, antes das intervenções políticas, que começarão a meio da tarde, estão previstas atuações de André Sardet, de Luís Represas e João Gil, do grupo Diapasão e dos Lucky Duckies.

Serão ainda prestadas homenagens fado e ao cante alentejano - já classificados como património cultural imaterial da humanidade pela UNESCO -, numa sessão em que atuarão o Grupo Coral da Casa do Povo de Reguengos de Monsaraz, o Grupo Etnofolclórico «Renascer da Areosa» de Viana do Castelo, a Banda Filarmónica do Louriçal e o Ranho Folclórico da Velha Guarda da Nazaré.

No recinto do pavilhão Rosa Mota, serão colocadas bancas alusivas a cada uma das regiões do país, contendo artesanato e gastronomia típica.


António Costa gosta de andar de comboio

O secretário-geral do PS viajou hoje, para o Porto, num comboio especial fretado para festejar os 42 anos da fundação deste partido, reeditando um programa que antes ajudara a organizar para candidaturas de Soares, Sampaio ou Guterres.

Pelo menos pela quarta-vez nos últimos 20 anos, António Costa participa numa ação do PS tendo como meio de transporte um comboio.

Perante os jornalistas, reconheceu que gosta deste tipo de iniciativas e lembrou que, enquanto jovem, até fez dois inter-rails na década de 80.

Durante as presidenciais de 1996, Jorge Sampaio, que tinha António Costa como diretor de campanha, fez idêntica viagem entre Lisboa e o Porto num comboio especial, mas com paragens para arruadas e comícios «relâmpago» em cidades como Santarém, Entroncamento, Coimbra e Aveiro.

António Guterres, em 1995, também escolheu o comboio para o arranque da sua "volta a Portugal", na pré-campanha das legislativas desse ano, mas viajou entre Lisboa e o Fundão, num gesto em que pretendeu promover as acessibilidades ao interior do país.

Mas Guterres também surpreendeu muitos dos socialistas que consigo viajaram logo à chegada ao Fundão: Depois da receção popular, com bombos e rancho folclórico, o primeiro encontro que teve foi com o pároco local e não com qualquer ilustre da época da I República, ou da resistência ao salazarismo, como acontecia nos tempos de liderança de Mário Soares-.

António Costa viajou acompanhado pelo líder parlamentar socialista, Ferro Rodrigues, pelo presidente do PS, Carlos César, e por dirigentes socialistas como Edite Estrela, Porfírio Silva e Marcos Perestrello.

A meio da viagem, Costa percorreu uma a uma as 12 carruagens do comboio, que se encontravam lotadas pelos 996 simpatizantes e militantes do PS (dado da CP).