O primeiro-ministro afirmou que está disponível para o diálogo social, mas avisou que "é impossível" refazer a história com uma recuperação das carreiras, matéria que disse não constar no programa e nos compromissos do Governo.

António Costa falava aos jornalistas no final do Fórum Económico Luso-Tunisino, em Tunes, capital da Tunísia, depois de confrontado com a pressão reivindicativa de vários setores profissionais no sentido de que o Governo, para efeitos de progressão, proceda à contabilização total dos anos em que as respetivas carreiras estiveram congeladas.

Tendo ao seu lado os ministros dos negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, da Administração Interna, Eduardo Cabrita, e da Economia, Manuel Caldeira Cabral, o líder do executivo defendeu que o seu Governo tem sobre essa matéria das carreiras procurado "separar os temas que devem ser separados".

Um é o tema que está neste momento em discussão, que corresponde ao nosso compromisso, que está no programa do Governo e que consta do Orçamento do Estado para 2018, ou seja, repor o cronómetro das carreiras a contar depois de ter estado parado", disse.

Outra questão, de acordo com António Costa, é o objetivo de alguns setores profissionais pretenderem agora "abrir uma nova discussão, que não tem a ver com o descongelamento, mas sim com a recuperação das carreiras".

Mas essa é uma matéria que não consta do programa do Governo, em relação ao qual não há qualquer compromisso e que impõe uma pressão muito grande sobre as capacidades e os recursos do país", acentuou.

O primeiro-ministro afirmou depois que o Governo "está disponível para todo o diálogo", entende que a negociação é fundamental e que foi precisamente isso que se acertou com os sindicatos dos professores no sentido de se iniciar a 15 de dezembro uma negociação sobre esse assunto em torno da recuperação das carreiras.

Estamos disponíveis para falar com todos, mas é preciso que todos tenham a noção de que é impossível refazer a história. Portanto, vamos falar, vamos seguramente ter em conta na medida das capacidades do país aquilo que são as preocupações das pessoas, mas tem de haver a compreensão de que é possível repor o relógio a andar para a frente, só que não é possível repor o relógio a andar para trás", referiu.

O tempo, insistiu António Costa, "não volta para trás", razão pela qual "não é possível refazer o que foi feito" no período de congelamento de carreiras na administração pública.

Confiança, o indicador mais importante

O primeiro-ministro defendeu ainda a tese de que a confiança é o indicador económico mais importante. Falando em francês perante uma plateia de empresários portugueses e tunisinos, António Costa sustentou que o seu Governo, após os anos da troika em Portugal e de crise financeira, procurou seguir uma estratégia "de combinação harmoniosa entre disciplina orçamental e reposição de direitos sociais".

Considero que a confiança é a questão chave na economia, e o principal objetivo do meu Governo foi restabelecer a confiança dos portugueses na economia do país. Quando um empresário investe na aquisição de máquinas, é porque tem confiança que vai recuperar a prazo esse investimento. Quando uma família aposta que os seus filhos completem o Ensino Superior e se qualifiquem cada vez mais, é porque acredita que está a fazer um bom investimento. A confiança é o fator chave para as empresas, para as famílias e para todos os agentes económicos".

Costa foi questionado por várias vezes, durante o seminário, por tunisinos sobre qual o modo como procedeu à criação do cartão do cidadão quando, entre 2005 e 2007, desempenhou as funções de ministro do Estado e da Administração Interna.

Um dos tunisinos disse mesmo parecer uma miragem a fusão num só cartão dos dados de identificação, do sistema de saúde, da segurança social, da carta de condução e do cartão de eleitor.

António Costa respondeu que o seu Governo encara a burocracia como "um combate permanente", razão pela qual agora existe o programa "Simplex +". "Temos de lutar todos os dias para simplificar a vida das pessoas e das empresas".