O secretário-geral do PS acusou esta terça-feira o presidente do PSD de falta de coragem por manter o candidato social-democrata em Loures, André Ventura, dizendo que as posições "racistas" deste desonram quem não lhe retirou a confiança política.

António Costa referiu-se ao caso gerado pelas críticas à comunidade cigana feitas pelo candidato do PSD à Câmara de Loures, André Ventura, durante a sessão de apresentação da candidatura da antiga ministra socialista da Cultura Gabriela Canavilhas à presidência da Câmara de Cascais.

O secretário-geral do PS começou por se referir a este episódio da campanha em Loures em forma de pergunta: "Já viram a triste situação em que eu estaria se fosse líder do PSD e estivesse no concelho de Loures a apoiar um candidato que desonra qualquer partido democrático?"

Agora imaginem com que cara estava aqui a apoiar um candidato em Cascais se tinha estado antes a apoiar um candidato como aquele que têm [no PSD] em Loures e que ainda não teve a coragem de retirar a confiança política, como se impõe num Estado democrático a quem é defensor da liberdade, da democracia e dos direitos humanos. Não, não é possível não retirar imediatamente a confiança política a um candidato dessa natureza", afirmou o secretário-geral do PS.

António Costa foi mais longe nas suas críticas ao presidente do PSD, considerando que "um candidato racista não desonra só uma candidatura em Loures".

Desonra o partido que o apresenta, o líder que não lhe retira a confiança política e, infelizmente, desonra tantos e tantos excelentes autarcas do PSD que não mereciam ombrear com um candidato que desonra a democracia portuguesa", afirmou.

A ouvir estas palavras de António Costa estavam os ministros da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, e o embaixador e antigo secretário de Estado dos Assuntos Europeus Seixas da Costa.

Canavilhas acusa

A antiga ministra da Cultura e candidata socialista à presidência da Câmara de Cascais acusou, por seu turno, o executivo autárquico de ter duplicado a dívida do município com a compra de imóveis do Estado para ajudar as receitas do Governo de Passos Coelho.

Num discurso em que prometeu duplicar a devolução (da componente municipal) de IRS aos cidadãos caso seja eleita presidente da Câmara de Cascais, Gabriela Canavilhas defendeu também a ideia de que a classe média do concelho está a ser penalizada pelas opções “sectárias” da atual gestão camarária PSD/CDS-PP.

A dívida da autarquia duplicou em dez anos com a compra de diversos imóveis do Estado, sobretudo entre 2011 e 2015, num esforço evidente do PSD e do CDS-PP de Cascais de ajudarem o Governo de Pedro Passos Coelho à custa do orçamento da autarquia", acusou.

Gabriela Canavilhas defendeu depois a consolidação do Ensino Superior em Cascais, dando primazia à área da investigação em torno do mar e ainda, a seu ver, a necessidade de apostar na cultura.

É inaceitável que o quinto maior concelho do país não tenha na sua orgânica camarária um vereador para a cultura. Em Cascais não há. Por isso, temos só programações avulsas: Festas e eventos de massas", criticou.