Passos Coelho teve 6 mil pessoas no comício de Santa Maria da Feira, esta sexta-feira e pediu maioria para governar. António Costa ainda não conseguiu juntar tanta gente, mas garante que fez uma “gigantesca sondagem” nas ruas e pede não só uma vitória, mas uma “vitória clara, inequívoca e maioritária”.

“A esmagadora maioria dos portugueses quer que a coligação de direita perca estas eleições, haja novo governo com nova política. Vi na televisão o primeiro-ministro a dizer que se não ganhasse com maioria absoluta era terrível. Imaginei o arrepio que as portuguesas e os portugueses tiveram na espinha só de imaginar que eles ganhassem quanto mais por maioria absoluta”


Ao mesmo tempo, o líder do PS demarcou-se do Governo de José Sócrares ao dizer que" as condições de hoje são diferentes das de 2011".  "E muitas das políticas que propusemos não podiam ser propostas e adotámos uma estratégia diferente – assente não em grandes obras públicas, mas na melhoria do rendimento das famílias e melhores condições para as empresas poderem investir". 


"Pode alguém ser quem não é?"


O líder do PS aproveitou ainda a pergunta repetida mais de uma dezena de vezes precisamente por um ex-ministro do anterior Governo socialista, Vieira da Silva, no comício do Almeirim: “Pode alguém ser quem não é? Não, não pode. Pessoas que enganam convencem-se a si próprias do engano porque já não têm quem enganar no país", atirou.

Vieira da Silva, fez, de resto, um discurso muito aplaudido pelos apoiantes que encheram o cine-teatro. Recordou o episódio que intitulou de “Pedro e os mil euros”, a propósito dos cortes que o Governo impôs nas pensões e salários acima desse patamar.

"Um pensionista com 1000 euros é um pensionista rico? Passos Coelho dizia que não, e nós concordamos, mas cortou. E o mesmo aconteceu a um trabalhador com um salário de mil euros. Foi o mesmo que lhe tivessem cortado um salário. Pode alguém ser quem não é?" questionou. 

O ex-ministro de José Sócrates conseguiu arrancar várias vaias e insultos a Passos Coelho, vindos da plateia. Ouvi-se uma mão cheia de "Bandido" de um ou dois apoiantes em Almeirim. Vieira de Silva continuou: 

"A memória do engano, de fingir que tudo está bem só porque, em véspera de eleições, nem a sardinha escapa. A memória do engano"


Mais mobilização e ónus nos indecisos


Vieira da Silva também admitiu que encontra pessoas na rua com uma "esperança tímida", "uma esperança contida", mas uma esperança, e que o PS precisa de corresponder. 

"E é por isso que eu perguntei: Pode alguém ser quem não é? Nós sabemos o que somos. Nós sabemos que temos connosco a responsabilidade da ambição de milhões de portugueses. De mulheres e homens que se cruzam connosco na rua e, volto a dizer, timidamente nos dizem 'boa sorte para a vossa campanha'. Nós temos essa responsabilidade dessa aspiração".  


Por isso, fez um apelo a "um voto pelo sim, não pelo mal menor".  E Costa concordou: "Não basta mobilizarmo-nos a nós próprios".

O candidato a primeiro-ministro dramatizou o apelo ao voto, numa mensagem para os indecisos e para travar a asbtenção, mostrando que eles têm responsabilidade no rumo do país. "É preciso mobilizar todos aqueles que estão esmagados, desalentados e descrentes. Temos de os acordar, mobilizar e convencer que não é ficando em casa, não é ficando no café a dizer mal, ficar à espera da próxima manifestação para o Governo ir para a rua. O problema pode ficar resolvido já no dia 4".

E se Passos canta com estudantes durante a campanha, Costa dá um acordes metafóricos. Pedindo taxativamente para as pessoas porem "a cruzinha à frente do PS ", disse que "para mudar a música é preciso virar o disco". "Não descansemos nos próximos 8 dias. Temos uma enorme responsabilidade", assumiu.