O secretário-geral do PS recusou-se a fazer comentários sobre uma eventual candidatura a Presidente da República do antigo deputado socialista Henrique Neto, dizendo que soube dela pela rádio e que lhe é indiferente.

António Costa falava esta segunda-feira aos jornalistas, após ter discursado no encerramento de uma conferência sobre qualificações, que se realizou no Museu de História Natural e da Ciência em Lisboa.

«Não sei se há candidatura. Não tenho comentários a fazer», disse, depois de ser questionado se, enquanto líder do PS, não teme uma dispersão de votos à esquerda nas próximas eleições presidenciais no início de 2016.

Questionado se foi informado previamente por Henrique Neto sobre a sua possível entrada na corrida a Belém, o secretário-geral do PS contrapôs: «Não falou e nem tinha naturalmente de falar, era o que faltava».

«Soube pela rádio. É-me indiferente. Não tenho nenhum comentário a fazer», adiantou António Costa ainda em referência a uma possível candidatura do empresário do distrito de Leiria às próximas eleições presidenciais.

O empresário Henrique Neto, antigo deputado do PS, deverá anunciar a sua candidatura presidencial na quarta-feira à tarde, no Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa.

António Costa assumiu esta segunda-feira como primeira prioridade educativa devolver «a paz» às escolas, num ponto em que criticou «os últimos governos», e traçou «uma linha vermelha» para rejeitar a diferenciação vocacional logo no Ensino Básico.

Na conferência promovida pelo PS subordinada ao tema das «Qualificações - recuperar o tempo perdido», o líder socialista estabeleceu logo uma linha de demarcação face ao atual executivo, mas também (embora sem o mencionar especificamente) em relação ao estilo de atuação do governo de maioria absoluta de José Sócrates, defendendo em contraponto a urgência de «estabilizar a escola, deixá-la respirar e devolver-lhe paz».

«Os últimos anos, em vários governos - é preciso reconhecê-lo - têm sido traumáticos para a escola. Sou casado com uma ex-educadora vítima precisamente do stress a que os agentes educativos têm estado sujeitos nos últimos anos. Não é possível melhorar a qualidade da aprendizagem e mobilizar a comunidade educativa e as famílias sem que exista paz e tranquilidade nas escolas.»


Outro ponto marcante da sua intervenção foi «a garantia da igualdade no ensino"»- um ponto em que fez duras críticas ao atual Governo.

«Recusaremos liminarmente a ideia de antecipar para o Básico as diferenciações vocacionais, porque, sobretudo numa idade precoce, representa prolongar na sociedade de forma duradoura fraturas sociais. Custa-me que 40 anos depois do 25 de Abril de 1974 se tente voltar ao período anterior à reforma de 1973. Esse é um retrocesso que não podemos aceitar e que temos de fazer uma muralha, uma linha vermelha sobre a qual não é possível transigir.»