Foi Catarina Martins que puxou pela primeira vez, durante o debate quinzenal, o tema quente da semana: a situação no Banif. O primeiro-ministro assegurou que o seu Governo vai "fazer tudo" para que a perda para os contribuintes "seja a menor possível", mas deixou o aviso: "não será uma surpresa se os contribuintes tiverem de pagar um preço pela intervenção de 2013". E admitiu mexer nos poderes do Banco de Portugal.

A dirigente do Bloco de Esquerda acusou PSD e CDS de serem responsáveis pela situação do banco, bem como o governador do Banco de Portugal que considerou ser "o problema do problema" do sistema financeiro, comparando o responsável à personagem da banda desenhada Mr. Magoo.

"Há um problema com o governador de Portugal: já é demais. A ocultação da irresponsabilidade da banca é um problema e o governador é o problema do problema da a irresponsabilidade dos sistema financeiro."​


António Costa voltou a mostrar-se cauteloso com a situação do banco, assegurando a salvaguarda dos depósitos, mas destacando que poderá haver um preço para os contribuintes.

"Não será uma surpresa se os contribuintes tiverem de pagar um preço pela intervenção que foi feita em 2013. Vamos fazer tudo para assegurar que a perda par aos contribuintes seja a menor possível", afirmou António Costa.


Catarina Martins lembrou durante a sua intervenção o caso BPN, reiterando que este banco foi ao fundo e levou consigo mais de 6 mil milhões de euros. A dirigente bloquista acusou o anterior governo de uma política "irresponsável", que escondeu "informação" para fins eleitorais.

"Tivemos um banco do PSD, BPN, que foi ao fundo e levou mais de 6 mil milhões de euros. Agora o Banif do PSD-Madeira que ameaça agora arrombar as contas do país. Os mesmos que hoje se mostram preocupados com as metas do défice são os mesmos que criaram problemas no Banif. Não há maior irresponsabildiade do que esconder informação e com fins eleitorais." 


Mais, a porta-voz do Bloco disse que o anterior executivo de Passos Coelho e Paulo Portas ignorou, em conjunto com o Banco de Portugal, as advertências do auditor do Banif, "fingindo" que "estava tudo bem" por ser, precisamente, um ano de eleições legislativas.

"Soube-se ontem que PSD e CDS se entendeu com o governador, apesar das advertências do auditor do Banif, para não fazerem nada todo o ano de 2015 quando o banco estava incumprimento com o Estado. Havia eleições e era preciso fingir que estava tudo bem."


Catarina Martins não poupou nas críticas ao governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, considerando que o governador é "o problema do problema da irresponsabilidade do sistema financeiro" que é preciso resolver.

Na resposta, o primeiro-ministro admitiu rever o modelo de gestão do Banco de Portugal.

"Acho que o Governo deve encontrar um novo desenho que se adeque aquilo que é essencial: que nao deixemos de ter instrumentos fundamentais para intervir", defendeu António Costa.



"O ex-primeiro-ministro enganou-se ou quis enganar alguém?"


O Banif também foi o tema destacado por Jerónimo de Sousa na sua intervenção. O líder do PCP afirmou que por quatro vezes questionou o anterior executivo sobre esta matéria, lembrando a resposta do ex-primeiro-ministro, Passos Coelho, que dizia que “os empréstimos à banca até eram um bom negócio porque o valor da taxa de juro iria permitir ao Estado ter lucros com a operação”.

Jerónimo de Sousa citou as palavras de Passos para lançar a pergunta: "O ex-primeiro-ministro enganou-se ou quis enganar alguém?".

O PCP afirmou que o país tem assistido a demasiados casos na banca que têm prejudicado o país e o seu povo.