O presidente honorário do PS, Almeida Santos, disse esta terça-feira que "tudo se encaminha para um Governo de esquerda" em Portugal, e sublinhou que a "experiência" de uma coligação à esquerda "deve ser feita".

"Acho que é uma experiência que deve ser feita", disse Almeida Santos quando questionado sobre o rumo das negociações e conversações do PS e dos seus dirigentes com as várias forças políticas após as eleições legislativas de 4 de outubro.

O socialista falava aos jornalistas no Centro Cultural de Belém à entrada para a apresentação oficial de Maria de Belém como candidata às presidenciais de janeiro de 2016.

Almeida Santos deixou claro que tem a obrigação de apoiar Maria de Belém na corrida à Presidência da República, uma vez que a antiga ministra do governo de António Guterres é a única candidata que é membro do PS.

No que diz respeito a um eventual Governo de esquerda, Manuel Alegre, que também falava aos jornalistas à entrada para a apresentação da candidatura de Maria de Belém às presidenciais, foi mais longe do que Almeida Santos e disse que será grave se Cavaco Silva não aceitar a solução de um acordo à esquerda.

“É uma solução democrática. Acabou um tabu e, como disse António Costa ao negociar à esquerda do PS, não é um novo PREC (como alguns querem), é o fim do PREC. (…) Se o Presidente da República não aprovar é grave, porque há maioria parlamentar”, afirmou o histórico socialista, para depois sublinhar que foi o próprio Cavaco Silva que falou da necessidade de estabilidade e de maioria parlamentar.
 
Questionado sobre se a candidatura de Maria de Belém às presidenciais poderá ou não dividir o PS nesta altura, Manuel Alegre ripostou com um sorriso: “Há muitos esforços para dividir o PS, mas o PS cá vai andando.”