A porta-voz do BE afirmou esta sexta-feira que o primeiro-ministro grego demissionário "está a fazer o que tem de fazer", devolvendo a voz às pessoas em novas eleições, devido às "medidas que não correspondem ao mandato que teve".

"As eleições na Grécia são naturais para quem respeita a democracia. Tsipras foi eleito com um mandato. As negociações com a Europa correram de maneira diferente e está a aplicar uma série de medidas que não correspondem ao mandato que teve. Aquilo que faz, e bem, é devolver a voz às pessoas”, disse Catarina Martins à SICnotícias.

“Tivéssemos nós um Governo em Portugal que, quando foi eleito a prometer uma coisa e depois fez outra, também tivesse ido a eleições. Julgo que quem leva a sério a democracia não podia ter feito outra coisa. Tsipras está a fazer o que tem de fazer", vincou Catarina Martins, que está esta tarde na redação da SICnotícias a responder a perguntas de jornalistas e de telespetadores.


A dirigente bloquista foi questionada sobre o anúncio da véspera de Alexis Tsipras, que se demitiu e apelou à convocação de eleições antecipadas na Grécia, após a formalização de novo resgate financeiro.

Uma ala dissidente do Syriza, a plataforma de esquerda, anunciou que vai passar a chamar-se Unidade Popular e formará o seu próprio grupo parlamentar com 25 dos atuais deputados, provenientes da ala mais à esquerda do partido do Governo helénico e que recusa o acordo com os credores.

Para Catarina Martins, "o plano imposto à Grécia é mau" e o seu partido "não subscreve que aquele seja um bom plano", pois considera ter sido "uma imposição num Conselho Europeu duríssimo", uma "imensa chantagem da União Europeia face a uma alternativa à austeridade".

"O BE nasceu como o Syriza nasceu, com a coligação de várias forças políticas, mas não se uniu ao PASOK. Também o BE tem dificuldades com o programa do PS. A pergunta é mais o que há de esquerda no programa do PS? O que há de alternativa ao alinhamento de PSD e CDS com a austeridade no programa do PS?", questionou a deputada sobre um eventual acordo com os socialistas, uma vez que "o BE não está disposto para nenhum entendimento que continue a estratégia de quebra de rendimentos ou privatizações".


A dirigente do BE lembrou ainda que todas as forças políticas com assento parlamentar tinham acordado em 05 de agosto a presença num debate televisivo com todas as candidaturas a 22 de setembro e acusou a coligação PSD/CDS-PP de ter medo do confronto ao anunciar hoje que não irá estar presente naquele debate, devido à ausência do líder do segundo partido que a compõe, Paulo Portas.

"Agora, aparentemente não querem cumprir a própria lei que aprovaram. Vem a coligação de direita resolver arranjar desculpas para não fazer o debate. Se calhar começou a perceber que a estratégia de reescrever o passado e não mostrar contas nenhumas do que pretende para o futuro é complicada em debates e confrontos e começou a arranjar desculpas", disse, recordando que o BE aceita todos os debates frente-a-frente, incluindo com o presidente democrata-cristão e vice-primeiro-ministro.