Alegre apela que PS «rompa com hegemonia» neoliberal

Histórico socialista diz a Seguro que memorando com a troika «não é a Bíblia»

Por: tvi24    |   12 de Abril de 2012 às 20:56
O ex-candidato presidencial do PS Manuel Alegre apelou hoje à direção do partido para que «rompa» com a «hegemonia do pensamento conservador» que domina a Europa, considerando que o memorando de entendimento «não é uma Bíblia».

«O apelo que faço à direção do PS é que rompa com essa hegemonia, que rompa e que quebre essa hegemonia e que dê o seu contributo para a criação de outras soluções na Europa, nenhum partido sozinho ou nenhum país sozinho poderá talvez fazê-lo mas nós também fizemos o 25 de Abril antes da Espanha e da Grécia e esse facto contribuiu para a transição democrática na Espanha e na Grécia, por algum lado terá de começar e não seria a primeira vez que algo de importante começaria em Portugal», afirmou o antigo vice-presidente da Assembleia da República, citado pela Lusa.

Manuel Alegre falava aos jornalistas no final da sessão de apresentação do livro «A crise da esquerda europeia», de Alfredo Barroso, que prefaciou e defendeu que deve ser debatido dentro do PS e por «todos os que se interessam pelos problemas da esquerda».

Questionado sobre como pode o PS apresentar uma linha de rutura quando está comprometido com o memorando de entendimento assinado com a troika, Alegre respondeu laconicamente: «O memorando não é uma bíblia, não é um texto sagrado».

O também fundador do PS não quis comentar a posição do PS sobre o Tratado Orçamental, notando que já se pronunciou publicamente contra esse novo mecanismo da União Europeia, e disse querer falar apenas da obra que prefaciou.

«Eu acho que os socialistas, desde o seu secretário-geral, a quem já ofereci o livro, a todos os seus dirigentes e militantes deviam ler este livro e debater este livro (...) acho que é muito importante para o debate das ideias e para o debate político e ideológico na esquerda e mesmo dentro do PS, um livro que aconselho a todos os que se interessam pelos problemas da esquerda, do socialismo democrático», considerou.

«Neste momento não se ouve falar da Internacional Socialista (IS), os partidos da IS que estiveram no poder em momentos decisivos podiam ter criado uma alternativa ao que foi a ofensiva neoliberal na Europa e neste momento há uma hegemonia do pensamento conservador, uma hegemonia cultural, ideológica e política deste pensamento que condiciona toda a vida política», acrescentou.
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