O presidente do Governo da Madeira, Alberto João Jardim, colocou esta quinta-feira o território e as «condições» da região «à disposição» dos países da América Latina, sem exceções de caráter político.

«Temos aqui todas as condições para por à disposição de cada um dos vossos países e empresários, sem qualquer excecionalidade de caráter político, porque cada povo deve ter o direito de escolher o regime em que quer viver», disse Jardim num encontro com uma comitiva de embaixadores de cerca de uma dezena de países da América Latina que se deslocou à região no âmbito da realização da ExpoMadeira, a maior feira das atividades económicas promovida pela Associação Industrial e Comercial do Funchal.

«O nosso território está à disposição dos vossos países, dos vossos empresários e do vosso povo», acrescentou o líder madeirense, salientando que a Madeira tem criadas as infraestruturas para prosseguir o «sonho» de ser a «Singapura do Atlântico».

Esta missão integrada na ExpoMadeira, uma mostra que começou no dia 05 e termina a 14, inclui diplomatas da Argentina, Venezuela, Colômbia, Cuba, México, Peru, Uruguai, Equador, República Dominicana, Paraguai e Panamá, entre outros.

Aos embaixadores, Jardim apontou que «Portugal foi sempre um estado muito centralizado» e teve «um império colonial durante cinco séculos que perdeu durante um ano e meio».

«Os dois territórios que ficavam no mar, Madeira e Açores, ganharam o estatuto de descentralização política da qual não havia tradição no direito público português e isto causa um certo trauma», acrescentou.

Segundo o responsável, «às vezes a conflitualidade existente, o contencioso que existe com a autonomia não é um contencioso político, é mais cultural», pelo que «só o tempo irá adaptar a cultura portuguesa a viver com regiões politicamente descentralizadas».

Jardim sublinhou que sem a União Europeia teria sido impossível o desenvolvimento da Madeira nos últimos anos, já que, no seu entender, Portugal não tinha condições para apoiar a região.

«E nos contenciosos com Portugal existe sempre um contencioso financeiro [...], mas foi também preciso criar uma forte dívida pública para podermos fazer as infraestruturas de desenvolvimento», sustentou, sublinhando que os madeirenses «não são separatistas, têm o projeto de viver no seio da República Portuguesa, mas com autonomia mais alargada».

Os embaixadores reuniram¿se também com a secretária Regional da Cultura, Turismo e Transportes da Madeira, Conceição Estudante, que afirmou que a visita é «uma mais-valia no relacionamento que se pode vir a criar» entre a região e esses países.

«São embaixadores de países latino-americanos e a nossa vontade é que também sejam embaixadores da Madeira», podendo divulgar esta «junto dos respetivos governos e instituições», argumentou a responsável madeirense.

Segundo Conceição Estudante, existem «grandes ligações em termos de comunidades espalhadas por todos estes países», mas a visita tem a vantagem de permitir o conhecimento da realidade da região do ponto de vista turístico.