O ministro da Defesa Nacional, José Pedro Aguiar-Branco, defendeu esta sexta-feira ser necessário passar, aos portugueses e aos depositantes do Banco Espírito Santo (BES), a mensagem que está a instituição bancária não está em causa.

«Estou a dizer é que, do ponto de vista do que tem a ver com a confiança dos depositantes, essa instituição bancária não está posta em causa, essa é a mensagem importante que é preciso que seja dada aos portugueses e, nomeadamente, aos depositantes do BES», disse Aguiar-Branco no Funchal aos jornalistas, à margem da conferência promovida pela Associação Comercial e Industrial (ACIF) subordinado ao tema do pós-troika.

Na opinião do governante, «do ponto de vista dos depositantes, ao nível dessa instituição bancária não há razão para haver qualquer espécie de alarme, como foi referido pelo primeiro-ministro».

Aguiar-Branco considerou que existe uma «ação exemplar por parte da supervisão do Banco de Portugal e, portanto, a esse nível não é necessário estar a criar nenhuma espécie de alarme especial».

O ministro acrescentou que «tudo o que tem a ver com a dimensão do grupo, para lá da dimensão bancária, está a seguir os trâmites de averiguação».

A negociação de ações do Banco Espírito Santo (BES) foi suspensa quinta-feira por decisão do regulador, enquanto estava a ser avaliada «a informação prestada» pela entidade financeira sobre a sua exposição ao Grupo Espírito Santo (GES).

A suspensão foi levantada esta sexta-feira.

O ministro da Defesa Nacional voltou a defender a necessidade de haver estabilidade política e governativa no país, considerando que esta é importante para serem criadas as condições de sustentabilidade da economia, visto que é uma forma de reforçar a confiança dos credores, promovendo mais investimento, taxas de juros mais favoráveis, o que representa crescimento e criação de emprego.

«Não é indiferente a responsabilidade dos agentes políticos, quer da oposição, quer próximos da área do governo para ter essas condições de estabilidade», reforçou.

Aguiar-Branco apontou que «depois de saídos com êxito do programa há realmente um aumento exponencial de candidatos», sustentando que existem próprios momentos para o seu surgimento.

«Qualquer situação que cria ruído e instabilidade a esse nível é perturbador das condições para que Portugal possa sair da melhor forma e condições mais favoráveis da crise em termos gerais», vincou.

Instado a pronunciar-se sobre o projeto de revisão constitucional apresentado pelos deputados do PSD/Madeira na Assembleia da República, o ministro referiu que sempre foi favorável a este tipo de alteração, mas, concluiu, «em termos de oportunidade e conteúdo, neste momento, não é o adequado».