O vice-presidente da bancada do PSD Adão Silva criticou esta terça-feira o PS por se recusar a debater a sustentabilidade do sistema de pensões em Portugal, usando para o efeito «metáforas inadequadas» para tentar inquinar a discussão.

«O PS recusa-se a fazer um debate sério sobre uma matéria delicada: O futuro e a sustentabilidade do sistema de pensões em Portugal. Tenta tapar a sua falta de vontade para discutir um dos assuntos mais desafiantes dos próximos anos, usando expressões excessivas e metáforas inadequadas para inquinar um debate que se pretende sério», declarou à agência Lusa Adão Silva.

O dirigente da bancada social-democrata falava depois de o coordenador do Grupo Parlamentar do PS para as questões sociais e laborais, Nuno Sá, ter acusado o Governo de designar um grupo de trabalho «para-secreto» para tornar definitivos os cortes no sistema de pensões.

Adão Silva considerou «muito infelizes» e «excessivas» as declarações de Nuno Sá, «trazendo ruído quando deveria haver ponderação e estudo sobre uma matéria com a delicadeza do tema das pensões».

«O Governo constituiu um grupo de trabalho com reputados especialistas, que foi tornado público pelo ministro da Solidariedade e da Segurança Social [Pedro Mota Soares]. Esse grupo de trabalho incorpora pessoas dos serviços da Segurança Social, assim como especialistas em direito constitucional», referiu o líder do PSD/Bragança.

Adão Silva salientou depois que esse grupo de trabalho visa dar resposta ao recente acórdão do Tribunal Constitucional, que chumbou a medida do Governo para a convergência das pensões da Caixa Geral de Aposentações (CGA) com as do sistema de Segurança Social.

«O objetivo é proceder a uma reforma sistemática e estrutural do sistema de pensões em Portugal. Esse grupo de trabalho pretende ainda dotar o sistema de pensões de uma maior sustentabilidade - sustentabilidade que tem de ser estribada no valor da equidade intergeracional, mas também numa solidariedade intrageracional, que tem sobretudo a ver com os pensionistas dos dois sistema da CGA e da Segurança Social, porque as diferenças são muito gritantes», advogou o vice-presidente da bancada do PSD.